sexta-feira, 26 de junho de 2009

A MOÇÃO DO DESEMBARGADOR

Cícero discursando no Senado

Prezadíssimos Pares e Senhor Procurador de Justiça:


Os segmentos representativos da comunidade piauiense estão terçando armas, buscando sensibilizar o Ministério da Cultura no sentido de se dignar em conceder justa e oportuna homenagem póstuma a Possidônio Nunes de Queiroz, oeirense de nascimento, musicista consagrado, intelectual e filólogo respeitado,outorgando-lhe a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, instituída pela Presidência da República.

A homenagem fala por si mesma e estão a justificá-la a conduta retilínea do homenageado, a limpeza de suas metas e propósitos, a sua fina sensibilidade humana e formação de sábio e de santo, como disse o poeta e desembargador, Luís Lopes Sobrinho, ao tecer considerações sobre a sua rica personalidade.

O grande Marco Túlio Cícero, o mais perfeito modelo da eloqüência forense da latinidade clássica, procurando compensar sua origem plebéia, foi buscar na velha Grécia o veio inesgotável de sua sapiência proverbial. Em Atenas, freqüentou os cursos de Ascalão, Antíoco e Zenão. Depois, em Rhodes encontrou o seu grande mestre Possidônio de Apaméia. Com este gênio de origem síria, Cícero encerraria a sua formação clássica. Possidônio era estóico. Os estóicos ensinavam os homens a viverem na virtude, na recta ratio de Cícero, o único bem, por certo, a felicidade suprema, amável por si mesma e de si mesma prêmio.

Passados mais de vinte séculos, eis que surge outro Possidônio, o Nunes de Queiroz, também mestre ínclito de outros,que agora são mestres. O tutor das gerações inteligentes, durante quase um século. O guardião insone da nossa história, o advogado das nossas causas cívicas e culturais. O juiz retíssimo do nosso pundonor, do nosso bairrismo e da nossa hospitalidade. Porque, respeitando as raras exceções, o nosso Possidônio Nunes de Queiroz, foi o mais completo filho de Oeiras, essa terra bendita queo recebeu em seu ventre maternal e que era o único territóriosagrado do mundo que merecia a honra de guardar os seus veneráveis despojos.

Sei que foi recebido, ao falecer com noventa e dois anos de idade, no paraíso dos santos, dos sábios e dos heróis.Pelo que ele efetivamente é, para Oeiras e para o Piauí,musicista exímio e intelectual de reconhecidos méritos, sinto-me no dever de propor moção de apoio a este egrégio Plenário, após a manifestação do Ministério Público, e caso ela seja aprovada, que oficiemos ao dinâmico Ministério da Cultura, hoje dirigido pelo pulso firme e lúcido do Ministro João Luiz Silva Ferreira– o Juca Ferreira, externando a nossa manifestação.
Teresina, 17 de junho de 2009.
Des. Edvaldo Pereira de Moura

sábado, 20 de junho de 2009

POSSIDÔNIO NUNES DE QUEIROZ: O RELATO DE QUEM ESTEVE PERTO

Johann Strauss Jr.
Ao segurar no seu braço, apoiando-o pra levar ao banheiro, cozinha para almoçar ou jantar, ou até mesmo, na hora de ir dormir, lembro-me de umas coisas que achava esquisito! tinha por volta dos 8 a 10 anos de idade. Ao carregá- lo para um outro lugar ele começava: PA- PA- ra- ra- pa..., mexia as mãos com auxilio dos braços magros pra cima pra baixo e para os lados e eu, do lado, achando graça, sem saber o que era aquilo que ele cantarolava, e sem graça ao mesmo tempo, pois não sorria, voltava com ele para o velho sofá, onde permaneceu por bastante tempo sem poder enxergar. imagino hoje sua inquietude com tantas obras em mente como as do mestre Patappio Silva, Strauss. E as suas?: Valsa Nº 09 (Pagã) - dizem que a preferida dele ao invés da famosa Ceci Carmo – horas de Melancolia, Olha o Flautim (choro) e tantas outras comidas pelos papirófagos e pela memória dos músicos oeirenses que o acompanhou por tanto tempo. Mal sabia eu que com aquele meu sorriso sem graça me enganava perdido por ainda não saber que do meu lado estaria um Homem- referencia - elevado - gênio secular - sorte da seleção divina por ter parado em Oeiras tão próximo de nossa geração contemporânea.
Ah como eu sinto vontade de prosar meus centavos de conhecimento com aquele ser "esquecido" (Jose Expedito Rêgo), de soprar flauta pra ele ouvir, sorrir de mim e dizer: "muito bem 'jovem' você tem que estudar muito...", dar a felicidade de mais um graduado formar-me na área que ele tanto prezava com exatidão, até mesmo, cronológica e oficial .....ah se eu pudesse....

Rodrigo Queiroz

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Rodrigo Queiroz, bisneto de Possidônio, morou com ele na sua infância. Fortemente influenciado pela carismática figura do avô, escreveu sobre sua obra musical em monografia apresentada como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Graduado em História, é proprietário, no Orkut, da comunidade "Possidônio, o inefável", de onde foi retirada essa crônica.


quarta-feira, 17 de junho de 2009

TEXTO DESAPARECIDO: UMA PENA!

Bernardete Maria e Niccolò Paganini (1782 - 1840)

O e-mail abaixo nos dá conta de que a Bernadete, escreveu um texto que foi extraviado (jamais chegou na minha caixa postal). Só pela palinha que ela deu falando nele, dá tristeza saber que sumiu.

De: Bernadete Maria de Andrade Ferraz
Assunto:Uma medalha para Possidônio Queiroz
Para: "Joca Oeiras"
Data: Sexta-feira, 12 de Junho de 2009, 18:28
Joca:
Suponho que fui uma das primeiras pessoas que atendeu ao seu chamado, sobre a campanha da Medalha da Ordem do Mérito Cultural, relacionada à indicação legítima e merecida do Professor Possidônio Nunes de Queiroz.

Lembro-me que meu texto dizia que a Loja do Professor Possidônio Queiroz foi a primeira Livraria que eu conheci e frequentei. Falei da atenção que ele me dispensava, cortezmente, dos papos emocionados sobre Beethoven, Paganini, Pixinguinha, e outros e outros... A minha adoslecência mereceu esse prêmio tão importante para minha curiosidade emocionada sobre os deuses distantes e tão próximos de minhas emoções. O Professor Possídônio era um mágico: fazia-nos ver, ouvir e sentir a energia de presenças encantadoras. Dando uma volta pelas esquinas daqueles tempos, vejo-o nitidamente e ouço sua verve indelével.

Bernadete Maria

No entanto, ainda não perdi as esperanças de convencê-la a reescrever!


sexta-feira, 12 de junho de 2009

NOSSO HOMEM NO MINC

Fred Maia e Ariano Suassuna
O Poeta e Arte Educador oeirense Fred Maia, atualmente exercendo um alto cargo na cúpula do Ministério da Cultura-MinC, manteve uma proveitosa e agradável conversa (MSN) comigo hoje de manhã, bem cedinho, antes do expediente no ministério.

Sendo o Fred um cara ocupadíssimo – além de tudo que faz habitualmente está viajando muito por ser encarregado, hoje, de coordenar os Debates Públicos em nível nacional sobre as modificações na Lei Rouanet – e como a conversa, como eu disse, foi muito interessante e proveitosa, propus a ele publicá-la após edição, no que aquiesceu. Ela começou assim:


– Oi Joca! Acabei de fazer uma boa leitura no Blog. Acho que vocês conseguiram juntar material suficiente para mostrar a importância do Prof. Possidônio Queiroz. São fragmentos que remontam a sua vida, obra, pensamento.

Achei maravilhoso o texto sobre a importância da arte e sua relação com a educação.Revela o conhecimento da literatura e das artes em geral, cita autores, pintores etc.

O texto, no qual se nega a defender um vereador acusado de ser o mandante de um assassinato é de uma força impressionante e, por tudo isso , creio que vocês fizeram o certo ao indicá-lo como humanista;

Seja como for, as suas músicas, também, estão lá e, além de serem lindas, demonstram a capacidade que ele tinha de transitar em várias disciplinas e de produzir arte, conhecimento e humanismo.

Lamento não ter escrito nenhum pequeno texto, para ajudar nesse processo, mas, realmente, minha vida anda atribulada e tomada de trabalho, compromissos e responsabilidades.

Creio que, baseado na apresentação/indicação que vocês fizeram, poderei corroborar, indicando-o também, com servidor da casa. Até porque, com as dificuldades citadas acima, não indiquei ninguém até agora. Então, pode ter certeza, farei a defesa da indicação pois posso afirmar que o Prof.Possidônio Queiroz merece todos as láureas que esse País possa conceder. Talvez, nenhum outro homem, no século XX, tenha vivido a vida com tanta humildade e sabedoria, tenha sido tão importante. Um homem pobre de recursos materiais, com quase nenhuma formação escolar mas com um enorme apetite intelectual.

Leu tudo: os clássicos gregos, a literatura universal e contemporânea e discutia arte, jurisprudência e ciência sem sair da sua Vila do Mocha, uma cidade que não será nunca esquecida, porque teve nele um iluminista, que a conservou em versos e partituras luminares.

Possi, além de genial, era bom! tinha a virtude da bondade - dom cada vez mais raro entre os seres humanos.

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É, como vocês podem ver, não se tratou, propriamente, de um diálogo, mas de um monólogo extremamente estimulante para a nossa causa. Falei conversa porque, embora vocês não tenham ouvido, nem ele, eu estava aqui, do outro lado, batendo palmas! Clap! Clap! Clap!

Viva Possi!

REPERCUSSÕES DA CAMPANHA

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Mesmo após consumada a indicação, a Campanha ainda repercute:

"Para nós, é motivo de muita honra apoiar a indicação do saudoso Prof. Possidônio Queirós à recepção da Medalha de Mérito Cultural reconhecendo-lhe o merecimento ainda que postumamente. Tivemos a grata satisfação de privar do convívio deste cidadão a quem consideramos , acima de tudo, um amigo. Admiramos em vida e continuamos a admirar a sua vasta e belíssima obra musical tanto que, reconhecendo-lhe a arte e o mérito, a Fundação a que presidimos (Fundação D.Edilberto Dinkelborg) escolheu dar o seu nome à Escola de Música situada na antiga Cadeia Pública de Oeiras. Conferir-lhe esta honraria significa reconhecer perante a sociedade não apenas o seu talento musical como também apresenta-lhe às novas gerações como cidadão honrado que foi, afeito ao trabalho, inclusive como homem das leis, e ao estudo numa época de poucas oportunidades e marcada pelo peconceito o que, aliás, infelizmente, mudou muito pouco. Trata-se também de reconhecer nele e na sua obra, a vocação musical de nossa terra onde temos muitos artistas ilustre; significa, também, despertar nos jovens o desejo de ultrapassar todas as barreiras que lhe são impostas e para tornarem-se cidadão dignos de sua terra; significa, enfim, apresentar aos jovens caminhos de desenvolver talentos em todas as áreas para não ficarem expostos ao vício e à violência, lembrando que a arte humaniza e desprerta sensibilidade. Parabenizamos a Fundação Nogueira Tapety por este gesto e deixamos aqui a expressão de nossa homenagem de apreço e gratidão ao Amido e Mestre Prof. Possidônio Queirós."

Pe. João de Deus de Carvalho Leal


"Cumprimento todos os apoiadores da lembrança, do respeito e do reconhecimento pelo significado social e cultural que o Professor Possidônio Queiroz significa para Oeiras e mais que suas fronteiras. A Medalha da OMC é bem quem o procura para tornar-se mais distinta ainda. Sua lembrança, de modo geral, merece esse gesto simbólico, porém eterno, como sua lembrança e obra.
Abraços"


Bernadete Ferraz


"Caro Joca Oeiras:

Recebi o texto que o amigo gentilmente me enviou, por e-mail.Desejo que você acolha, ao lado dos demais parceiros nessa importante empreitada cultura, os meus aplausos e as minhas felicitações pela iniciativa a proposta encaminhada ao MinC para a justíssima homenagem que a Fundação Nogueira Tapety pretende prestar à memória de Possidônio Queiroz, justificada da maneira mais irretocável possível.Fraternalmente,"

Theddy Ribeiro


"Excelente e merecidíssima campanha . O professor Possidônio é o suprassumo da cultura Oeirense, quiça do Piauí,especialmente no que diz respeito à música. Só me diga como faço para conseguir um CD com as belas valsas do mestre."

Edson Rogério


"Joca, que bela justificativa!

Não que eu seja assim... bairrista, porém não acredito que a história e as histórias de Possidônio não convençam ao juri do merecimento pela medalha. Pois pra mim, conhecer as faces de Possidônio Queiroz é encontrar o Mundo num pedacinho da Terra(Oeiras), é libertar sentimentos tão secretamente trancados, é encantar-se por completo sem a varinha de condão, pois Possi é a essência de Oeiras, portanto, uma amostra do mundo! Basta conhecê-lo através dos seus feitos e façanhas. Espero que consigamos mais essa vitória.
Estou torcendo pelo sucesso.
Abraços,"

Maria do Socooro Barros

quarta-feira, 10 de junho de 2009

UMA VISITA OPORTUNA

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Na tarde de ontem, terça-feira, 9 de junho de 2009, recebemos, na sede da FNT, uma não apenas ilustre e simpática mas também oportuna visita. O Pastor Francisco de Assis Ribeiro de Queiroz, hoje exercendo o Ministério Pastoral no município de Água Branca-PI, filho caçula do Professor Possidônio Queiroz veio nos visitar e congratular-se conosco pela campanha na qual, durante o último mês, estivemos envolvidos. A propósito, faremos hoje, 10 de junho, a indicação para que ele (in memóriam) receba a medalha da Ordem do Mérito Cultural.

Um Parêntese: Após a visita, conversando com o Carlos Rubem, chegamos à conclusão de que a presença do pastor Chico Queiroz na FNT, tanto a mim quanto a ele, nos fez muito bem. Pudemos sentir um sadio orgulho do que estamos fazendo. Fecha Parêntese.

Eu ainda não havia notado tanta semelhança física entre ambos, pai e filho. O Chico Queiroz, além do excelente astral que transmite, não economiza conversa sobre o pai. Contou, por exemplo, que, certa vez, Possidônio presidia a mesa de uma solenidade no Cine Teatro Oeiras quando nele adentrou o Pastor Robert Tlotson. Imediatamente o presidente declinou o nome do pastor para compor a mesa. Monsenhor Leopoldo, que já ocupava um lugar ali, ameaçou levantar-se pois, segundo alegou, não se sentia bem na mesma mesa que um Protestante. Ante a ameaça, Possi contra-atacou: “se o Caríssimo abandonar a mesa vou tornar pública esta sua justificativa. O Monsenhor pensou bem, e não completou a mal-criação que ensaiava. Chico contou, também, que seu pai teve, certa vez, a morte contratada mas o atirador arrependeu-se na última hora. Anos depois, este mesmo que ia matá-lo, Possidônio hospedou em sua casa. Outra coisa curiosa que contou, um tanto magoado, foi que, a famosa Flauta de Prata de Possi, aquela referida na belíssima “Carta ao Filho” nunca chegou às suas mãos, estando, até hoje, de posse da cunhada, viúva de Raimundo Queiroz. Apreciou bastante o nosso blog de campanha. Será o representante da família Queiroz caso a mesma consiga emplacar. Vitoriosa ela já se encontra!
Joca Oeiras

terça-feira, 9 de junho de 2009

NADA MENOS QUE A VERDADE!

Jesus Elias Tajra


Oeiras, 15 de agosto de 1990

Exmo. Sr.
Deputado Federal Jesus Elias Tajra

Em meu poder a carta do ilustre e prezado Coestaduano amigo, em que me comunica ser candidato à reeleição à Câmara Federal e desejaria receber o meu voto.

Fala dos trabalhos desenvolvidos no Parlamento, e apresenta o rol das lutas por que se baterá, em número de seis, todas admiravelmente nobres: - pela moralidade administrativa publica; melhoria do sistema educacional; por melhor saúde em nosso Estado; melhor segurança para a população; salário digno e justo para o funcionalismo e por maior e atenção do Governo Federal para o Piauí. Um programa que nada deixa a desejar.

Os que acompanham a vida dos nossos homens públicos conhecem o que muito tem feito o Egrégio Deputado. Homens como V. Exa. honram e enobrecem a nossa representação na Câmara Baixa do País.

No regime democrático, o único que é compatível com dignidade humana (infelizmente no Brasil apenas um ensaio), temos os eleitores compromissos que se tornam, às vezes, inalienáveis. Isso leva-nos a, embora reconhecendo no candidato qualidades meritórias, a agradecer, como agradeço, a delicadeza da comunicação, mas a ser obrigado a declarar, respeitosa e amistosamente, que já tem velho compromisso que desejo cumprir.

Fazendo votos porque tenha mais uma vez assento entre os nosso representantes federais, subscrevo-me.

cordialmente

Possidônio Nunes de Queiroz