quarta-feira, 18 de novembro de 2009

POSSIDÔNIO LEMBRADO EM TERESINA


Palácio da Música: Sala Possidônio Queiroz



O Palácio da Música será inaugurado nesta sexta-feira, a partir das 19h, com a apresentação da Orquestra Sinfônica de Teresina, Banda Sinfônica 16 de Agosto, Luiza Miranda e Erisvaldo Borges. A casa, dirigida por Luciano Klaus, é uma antiga reivindicação dos músicos de Teresina atendida pelo prefeito Silvio Mendes.

Com a inauguração nesta sexta, todos os grupos musicais terão um local apropriado para ensaios e apresentações. Segundo o maestro Linhares, da Banda 16 de Agosto, o Palácio da Música é um desejo antigo, pois há 25 anos a Banda luta por um espaço que agora é conquistado.

O local funciona no antigo Mercado do Cajueiro, no Centro da capital, e foi totalmente readaptado para receber as bandas. O espaço tem seis salas de estudo, salas de ensaios, biblioteca, uma sala para concerto denominada Possidônio Queiroz, com 140 lugares e um café concerto - destinado à música alternativa para apresentações de eventos variados, como shows musicais, lançamentos de livros, CDs, saraus, dentre outros.

Todos os ambientes têm uma acústica apropriada de forma a impedir a interferência de sons. Segundo o diretor Luciano Klaus, a Prefeitura de Teresina mantém muitos grupos de música e com esse Palácio, acredita-se que mais serão formados.

A proposta do espaço também é a formação de platéia, pois a Orquestra Sinfônica de Teresina realizará ensaios abertos ao público.


terça-feira, 14 de julho de 2009

POESIA, DANÇA E AS VALSAS DE POSSI

Espetáculo: SANGUE – inventário de histórias negadas
Foto: Jone Clay Macedo
Sangue
Resultado de um demorado, intenso e tortuoso processo de criação de uma obra coreográfica. A obra buscou movimentos escondidos dentro da própria genealogia dos intérpretes, estabelecendo o debate acerca de questões identitárias a partir de uma visão etnosertaneja do corpo. O espetáculo apresenta ao público um inventário de histórias negadas, garimpadas na rede de dominação cultural histórica a que está sujeito o corpo do negro, do índio, do caboclo.



A coreógrafa Luzia Amélia utilizou, além de sua própria experiência acumulada em 12 anos de Cia., um método de pesquisa cênica ligado ao Teatro Físico, adquirido num curso com Fernanda Branco, brasileira, radicada na Noruega. O processo empreendido gerou conjuntos individuais de movimentos, a que se chamou de núcleos. Na verdade, frases coreográficas com nuances próprias, ricas, surgidos das entranhas dos bailarinos.
O ilustre compositor do Piauí, Possidônio Queiroz, foi 'convidado' a trazer suas composições (valsas) para o ensaio. A música do falecido artista se incorporou aos movimentos do elenco, tornando-se indissociável do processo. Um novo e intenso encontro se fez, dando dimensão outra ao que se estava pretendendo.

Ficha Técnica:
Concepção/Direção: Luzia Amélia
Intérpretes: Antônia Luciana, Andréia Barreto, Drika Monteiro, Jean das Neves, Débora Radassi, Irene Gomes, Nayara Fabrícia, Samara Rocha.
Figurino: Luzia Amélia
Cenário: Cia. Luzia Amélia e Xico Fialho
Texto: Da Costa e Silva - Música: Possidônio Queiroz

O "DESCOBRIDOR"







O Maestro Emmanuel Coelho Maciel, quem "revelou" a importância da obra musical do Professor Possidonio Queiroz



sexta-feira, 26 de junho de 2009

A MOÇÃO DO DESEMBARGADOR

Cícero discursando no Senado

Prezadíssimos Pares e Senhor Procurador de Justiça:


Os segmentos representativos da comunidade piauiense estão terçando armas, buscando sensibilizar o Ministério da Cultura no sentido de se dignar em conceder justa e oportuna homenagem póstuma a Possidônio Nunes de Queiroz, oeirense de nascimento, musicista consagrado, intelectual e filólogo respeitado,outorgando-lhe a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, instituída pela Presidência da República.

A homenagem fala por si mesma e estão a justificá-la a conduta retilínea do homenageado, a limpeza de suas metas e propósitos, a sua fina sensibilidade humana e formação de sábio e de santo, como disse o poeta e desembargador, Luís Lopes Sobrinho, ao tecer considerações sobre a sua rica personalidade.

O grande Marco Túlio Cícero, o mais perfeito modelo da eloqüência forense da latinidade clássica, procurando compensar sua origem plebéia, foi buscar na velha Grécia o veio inesgotável de sua sapiência proverbial. Em Atenas, freqüentou os cursos de Ascalão, Antíoco e Zenão. Depois, em Rhodes encontrou o seu grande mestre Possidônio de Apaméia. Com este gênio de origem síria, Cícero encerraria a sua formação clássica. Possidônio era estóico. Os estóicos ensinavam os homens a viverem na virtude, na recta ratio de Cícero, o único bem, por certo, a felicidade suprema, amável por si mesma e de si mesma prêmio.

Passados mais de vinte séculos, eis que surge outro Possidônio, o Nunes de Queiroz, também mestre ínclito de outros,que agora são mestres. O tutor das gerações inteligentes, durante quase um século. O guardião insone da nossa história, o advogado das nossas causas cívicas e culturais. O juiz retíssimo do nosso pundonor, do nosso bairrismo e da nossa hospitalidade. Porque, respeitando as raras exceções, o nosso Possidônio Nunes de Queiroz, foi o mais completo filho de Oeiras, essa terra bendita queo recebeu em seu ventre maternal e que era o único territóriosagrado do mundo que merecia a honra de guardar os seus veneráveis despojos.

Sei que foi recebido, ao falecer com noventa e dois anos de idade, no paraíso dos santos, dos sábios e dos heróis.Pelo que ele efetivamente é, para Oeiras e para o Piauí,musicista exímio e intelectual de reconhecidos méritos, sinto-me no dever de propor moção de apoio a este egrégio Plenário, após a manifestação do Ministério Público, e caso ela seja aprovada, que oficiemos ao dinâmico Ministério da Cultura, hoje dirigido pelo pulso firme e lúcido do Ministro João Luiz Silva Ferreira– o Juca Ferreira, externando a nossa manifestação.
Teresina, 17 de junho de 2009.
Des. Edvaldo Pereira de Moura

sábado, 20 de junho de 2009

POSSIDÔNIO NUNES DE QUEIROZ: O RELATO DE QUEM ESTEVE PERTO

Johann Strauss Jr.
Ao segurar no seu braço, apoiando-o pra levar ao banheiro, cozinha para almoçar ou jantar, ou até mesmo, na hora de ir dormir, lembro-me de umas coisas que achava esquisito! tinha por volta dos 8 a 10 anos de idade. Ao carregá- lo para um outro lugar ele começava: PA- PA- ra- ra- pa..., mexia as mãos com auxilio dos braços magros pra cima pra baixo e para os lados e eu, do lado, achando graça, sem saber o que era aquilo que ele cantarolava, e sem graça ao mesmo tempo, pois não sorria, voltava com ele para o velho sofá, onde permaneceu por bastante tempo sem poder enxergar. imagino hoje sua inquietude com tantas obras em mente como as do mestre Patappio Silva, Strauss. E as suas?: Valsa Nº 09 (Pagã) - dizem que a preferida dele ao invés da famosa Ceci Carmo – horas de Melancolia, Olha o Flautim (choro) e tantas outras comidas pelos papirófagos e pela memória dos músicos oeirenses que o acompanhou por tanto tempo. Mal sabia eu que com aquele meu sorriso sem graça me enganava perdido por ainda não saber que do meu lado estaria um Homem- referencia - elevado - gênio secular - sorte da seleção divina por ter parado em Oeiras tão próximo de nossa geração contemporânea.
Ah como eu sinto vontade de prosar meus centavos de conhecimento com aquele ser "esquecido" (Jose Expedito Rêgo), de soprar flauta pra ele ouvir, sorrir de mim e dizer: "muito bem 'jovem' você tem que estudar muito...", dar a felicidade de mais um graduado formar-me na área que ele tanto prezava com exatidão, até mesmo, cronológica e oficial .....ah se eu pudesse....

Rodrigo Queiroz

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Rodrigo Queiroz, bisneto de Possidônio, morou com ele na sua infância. Fortemente influenciado pela carismática figura do avô, escreveu sobre sua obra musical em monografia apresentada como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Graduado em História, é proprietário, no Orkut, da comunidade "Possidônio, o inefável", de onde foi retirada essa crônica.


quarta-feira, 17 de junho de 2009

TEXTO DESAPARECIDO: UMA PENA!

Bernardete Maria e Niccolò Paganini (1782 - 1840)

O e-mail abaixo nos dá conta de que a Bernadete, escreveu um texto que foi extraviado (jamais chegou na minha caixa postal). Só pela palinha que ela deu falando nele, dá tristeza saber que sumiu.

De: Bernadete Maria de Andrade Ferraz
Assunto:Uma medalha para Possidônio Queiroz
Para: "Joca Oeiras"
Data: Sexta-feira, 12 de Junho de 2009, 18:28
Joca:
Suponho que fui uma das primeiras pessoas que atendeu ao seu chamado, sobre a campanha da Medalha da Ordem do Mérito Cultural, relacionada à indicação legítima e merecida do Professor Possidônio Nunes de Queiroz.

Lembro-me que meu texto dizia que a Loja do Professor Possidônio Queiroz foi a primeira Livraria que eu conheci e frequentei. Falei da atenção que ele me dispensava, cortezmente, dos papos emocionados sobre Beethoven, Paganini, Pixinguinha, e outros e outros... A minha adoslecência mereceu esse prêmio tão importante para minha curiosidade emocionada sobre os deuses distantes e tão próximos de minhas emoções. O Professor Possídônio era um mágico: fazia-nos ver, ouvir e sentir a energia de presenças encantadoras. Dando uma volta pelas esquinas daqueles tempos, vejo-o nitidamente e ouço sua verve indelével.

Bernadete Maria

No entanto, ainda não perdi as esperanças de convencê-la a reescrever!


sexta-feira, 12 de junho de 2009

NOSSO HOMEM NO MINC

Fred Maia e Ariano Suassuna
O Poeta e Arte Educador oeirense Fred Maia, atualmente exercendo um alto cargo na cúpula do Ministério da Cultura-MinC, manteve uma proveitosa e agradável conversa (MSN) comigo hoje de manhã, bem cedinho, antes do expediente no ministério.

Sendo o Fred um cara ocupadíssimo – além de tudo que faz habitualmente está viajando muito por ser encarregado, hoje, de coordenar os Debates Públicos em nível nacional sobre as modificações na Lei Rouanet – e como a conversa, como eu disse, foi muito interessante e proveitosa, propus a ele publicá-la após edição, no que aquiesceu. Ela começou assim:


– Oi Joca! Acabei de fazer uma boa leitura no Blog. Acho que vocês conseguiram juntar material suficiente para mostrar a importância do Prof. Possidônio Queiroz. São fragmentos que remontam a sua vida, obra, pensamento.

Achei maravilhoso o texto sobre a importância da arte e sua relação com a educação.Revela o conhecimento da literatura e das artes em geral, cita autores, pintores etc.

O texto, no qual se nega a defender um vereador acusado de ser o mandante de um assassinato é de uma força impressionante e, por tudo isso , creio que vocês fizeram o certo ao indicá-lo como humanista;

Seja como for, as suas músicas, também, estão lá e, além de serem lindas, demonstram a capacidade que ele tinha de transitar em várias disciplinas e de produzir arte, conhecimento e humanismo.

Lamento não ter escrito nenhum pequeno texto, para ajudar nesse processo, mas, realmente, minha vida anda atribulada e tomada de trabalho, compromissos e responsabilidades.

Creio que, baseado na apresentação/indicação que vocês fizeram, poderei corroborar, indicando-o também, com servidor da casa. Até porque, com as dificuldades citadas acima, não indiquei ninguém até agora. Então, pode ter certeza, farei a defesa da indicação pois posso afirmar que o Prof.Possidônio Queiroz merece todos as láureas que esse País possa conceder. Talvez, nenhum outro homem, no século XX, tenha vivido a vida com tanta humildade e sabedoria, tenha sido tão importante. Um homem pobre de recursos materiais, com quase nenhuma formação escolar mas com um enorme apetite intelectual.

Leu tudo: os clássicos gregos, a literatura universal e contemporânea e discutia arte, jurisprudência e ciência sem sair da sua Vila do Mocha, uma cidade que não será nunca esquecida, porque teve nele um iluminista, que a conservou em versos e partituras luminares.

Possi, além de genial, era bom! tinha a virtude da bondade - dom cada vez mais raro entre os seres humanos.

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É, como vocês podem ver, não se tratou, propriamente, de um diálogo, mas de um monólogo extremamente estimulante para a nossa causa. Falei conversa porque, embora vocês não tenham ouvido, nem ele, eu estava aqui, do outro lado, batendo palmas! Clap! Clap! Clap!

Viva Possi!