quinta-feira, 4 de junho de 2009

GALERIA DOS INESQUECÍÌVEIS

Possidônio Queiroz e Netinho da Flauta
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A INILUDÍVEL VELHICE

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POSSIDÔNIO:ODE À ESPERANÇA

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A crônica acima, de autoria do Professor Possidônio Nunes de Queiroz, foi publicada no jornal O DIA em primeiro de janeiro de 1992. A foto a ela aposta, tem função meramente ilustrativa, isto é, não se trata do Cartão Postal referido por Possidônio na supradita peça literária.

terça-feira, 2 de junho de 2009

CONSIDERO UM GRANDE PRIVILÉGIO TER SIDO SUA COLEGA DE TRABALHO

Depoimento sobre professor Possidônio Queiroz.

Eu ainda cursava o 3° ano pedagógico, quando iniciei no serviço público, trabalhando na Secretaria da Câmara Municipal ao lado do caríssimo Professor Pôssidonio Queiroz. Foi um período marcante na minha juventude, convivendo com funcionários mais velhos, experientes e atenciosos.

Ainda vive na minha memória, a presença do Professor Possidônio, na Prefeitura, de terno, atencioso, bem humorado, falante e sempre pronto para servir. Com ele aprendi muitas coisas e as “regras do bem viver”, como dizia a minha mãe, Bembém.

Constantemente estava ele a me falar de poetas, intelectuais, vidas de santos e sobretudo do “seu mestre” Rui Barbosa. Discorria sobre textos, regras de gramática além da “Réplica”, “Tréplica”, acórdãos, jurisprudência, assuntos que eu não entendia e tão pouco me interessava.

Porém, quando Possi me falava de fatos e pessoas do passado da “Velha Urbe”, aí sim, eu queria saber de tudo e o crivava de perguntas. Nas suas respostas, o professor era muito prolixo, mostrava bibliografia e algumas vezes, chegava a desconcentrar seu interlocutor, especialmente quando este era jovem ou inculto. O professor sempre estava disponível. Fosse na repartição, em casa, na rua ou no seu escritório, orientava os colegas, os novos advogados, estudantes, professores ou até mesmo algum curioso, doido ou desocupado, que o procurasse. Alguém chegou apelidá-lo de “Enciclopédia Ambulante”.

O seu respeito e carinho por crianças, era impressionante. Deixava de lado qualquer trabalho, pesquisa ou processo para ouvi-las e atendê-las. Sempre as crianças saiam alegres, felizes e ele retornava ao trabalho cantarolando.

O Professor Possidônio Queiroz foi um grande humanista, cidadão crítico e consciente, educado, defensor da nossa comunidade e acima de tudo um bom amigo, daqueles que o evangelho chama de “tesouro”. A disponibilidade em servir o próximo, pontuou sua vida até os últimos instantes.

Todos sabemos de suas qualidades e méritos como beletrista, rábula; autodidata, músico, compositor, historiador e professor. A campanha da FNT visando o reconhecimento nacional de sua memória, consubstanciada na outorga da láurea “Ordem do Mérito Cultural”, a par de ser de integral justiça,constituir-se-á, especialmente para as novas gerações, num exemplo de superação, dedicação ao estudo e crença nos valores éticos e morais.

Rita de Cássia Campos.

OEIRAS E POSSIDÔNIO: AMADA E AMANTE DE AMOR ETERNO

ph: Cândido Neto
Na Academia Piauiense de Letras possuo o meu voto. Nunca pedi que meus colegas acadêmicos me concedessem o voto que lhes pertence para eleição de candidatos de minha simpatia, pois se assim fosse Possidônio Queiroz já estaria sentado numa poltrona da casa de Lucídio Freitas, por incontestável merecimento. Humilde, simples, bondoso, amigo leal e sincero, correto nas atitudes, tem memória privilegiada, conhecimento profundo da História do Piauí e de sua antiga capital, Oeiras, riquíssima de tradições e de grandezas cívicas. Possidônio e Oeiras se confundem, fraternos, amada e amante de amor eterno. Raros no Piauí escrevem como Possidônio, linguagem escorreita, na usança do português popular ou da língua clássica quando quer, e num e noutro tem o respeito dos mestres como ele.

Gosto de Possidônio, consultório da gente de Oeiras. Venero-o. Colocou a cultura intelectual a serviço dos sentimentos de sua pátria maior, Oeiras, cuja glória abastece o Piauí sem memória e Teresina mutiladade ambições nefastas.

Casualmente folheio um jornalzinho antigo de Oeiras e me deparo com um trabalho de Possidônio, uma crônica, gênero difícil que ele domina facilmente. Homenageio-o, transcrevendo-a. Leiam-na. Curiosa concepção popular, como tudo o que presta, intitulada O Homem que dava Leite.

"Parece que ainda estou a ver. Estatura mediana, gordo, por isso mesmo parecendo mais baixo, xingador, amante de uma boa pinga, palavroso, quase valente, festeiro, vaqueiro hábil e corajoso.

Há quarenta anos, todo mundo o conhecia em Oeiras. Residente no interior do município, no lugar Malhada Real, a poucas léguas da sede, vinha constantemente à cidade. Aqui privava com as pessoas mais categorizadas. Muitos gostavam de ouvi-lo, porque a conversa entremeada de palavras menos doces, de constantes invocações ao Diabo e de pilhérias salgadas, despertavam gargalhadas estrepitosas.

Raimundo Figueiredo nunca vinha à cidade sem paletó. A camisa, porém, lhe aparecia por baixo do paletó, na frente e atrás, porque a trazia sempre por fora das calças. Isto lhe dava um aspecto bizarro.

Quando moço foi acometido de pertinaz moléstia, que, por pouco o não levou à sepultura. Permaneceu em estado de coma por vários dias. Restabelecido, contava, grave, sentencioso, que estivera no inferno e que lá vira muita gente conhecida, cujos nomes declinava. Desde então, tornou-se famigerado praguejador, vomitando injúrias, a cada momento.

O que vai dito bastava par a definição do homem que veio do “outro mundo”, sobremodo amigo do Tinhoso, amigo de tal forma que não lhe podia nunca tirar o nome da boca. Entretanto, não é sob este aspecto, que lhe queremos focalizar a personalidade. O que vamos dizer de Raimundo Figueiredo, é que ele era um homem que dava leite, e dava muito leite.

Gostava de dizer, de afirmar essa faculdade que possuía, que, de certa forma, o colocava acima dos outros homens, que não sabiam dar leite. E não admitia que ninguém lhe duvidasse da assertiva. A mais de uma pessoa, por duvidar do que ele dizia, sujou a cara e a roupa de leite. Era desacreditá-lo, e ele, num movimento rápido, sacava de sob as vestes um peito enorme, referto do líquido branco, e, sem mais demora, mandava contra o incrédulo um forte esguicho que o molhava todo.

Raimundo Figueiredo amamentou a mais de um filho. Não gostava de ouvir choro de criança. Por isso, quando a mulher saía para lavar roupa e a criança tinha fome, ele acalentava o filho pequeno, dando-lhe o peito a mamar. Daí lhe adveio o criar leite, e muito leite. Cabra macho, não ajeitava contenda.

Ginecomasto, na expressão da palavra, possuía mamas enormes. Neste particular, poucas mulheres lhe levam a palma. Podia tirar, dos grandes peitos, sempre refertos, como costumava afirmar, copos de leite. Isso, eu o ouvi dizer de mais de uma vez.

Gostava muito de sambar, de comandar as danças nos folguedos roceiros. Nas festas de casamento, nunca deixava de pronunciar discursos bombásticos, geralmente muito aplaudido.

Era perdido por mulheres. Casado, tinha cinco ou seis filhos do matrimônio e vários de contrabando. Se fosse vivo estaria escandalizado por ver tantos homens operando-se, no desejo insólito de se transformarem em mulheres. Não fez nenhuma operação. E, no entanto, tinha seios enormes e amamentou crianças. Cousas da vida! "

Esta crônica de Possidônio Queiroz foi publicada, pela primeira vez, no jornal O Vírus, 1º/FEV/1977 – Oeiras - PI
Arimathea Tito Filho (in memoriam)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UM GRANDE BRASILEIRO!

De: Marcos Miranda souza.miranda@xxxx.com.br
Assunto: Res: Re: Res: Uma Medalha para Possidônio Queiroz
Para: "Joca Oeiras" jocaoeiras@yahoo.com.br
Data: Domingo, 31 de Maio de 2009, 19:36
Caro Joca,
Parabéns pelo trabalho em prol do resgate e promoção da memória do Professor Possidônio Queiroz.
Adiro à manifestação de reconhecimento pelo trabalho desse grande brasileiro.
Fraternal abraço,
Marcos Miranda

POSSI: A BORRACHA DO TEMPO NÃO CONSEGUE APAGAR

Quem disse que o velho Possi, de sons doces e transcendentes desapareceu?
Não. Possi está vivo.
Vivo?
Sim, vivo na melodia transcendente de seus “poemas-partituras” que, quando tocados, pintam novamente um homem que a borracha do tempo não conseguiu apagar.
Vivo?
Sim. Vivo em cada canto dessa terra que tão bem cuidou e exaltou.
Vivo?
Sim, Possi vive na alma dos sensíveis que jamais o deixaram empoeirado.
Vivo?
Vivo nas cordas de um velho bandolim que dedilhado em noite estrelada, declara amor.
Vivo?
Vivo até mesmo nos cupins que degustaram muitas de suas partituras por descaso dos que têm suas almas fechadas à causa da arte.
Vivo?
Vivo no hino solene que exalta uma catedral barroca no interior do Piauí.
Mas como vivo?
Vivo num poema que está escrito em nossas almas com a tinta da saudade.
Vivo?
Possi está vivo sim.
Porque Poetas e Músicos não morrem jamais, ficam eternizados em seus poemas e sons,
Que nem mesmo a crueldade do tempo, nem a frieza dos homens conseguem apagar.
Viva Possi!!
Stefano Ferreira (17- 05-2004)

Publicado originalmente em “O Estado do Piauí, o mais charmoso do Brasil”, nº3 - julho de 2004 sob o título “Retrato Vivo de Som Doce “.