segunda-feira, 8 de junho de 2009

GRANDE MÚSICO OU SÁBIO HUMANISTA

No dia 12 próximo encerra-se o prazo para indicações à Medalha da Ordem do Mérito Cultural. Espero que não, mas talvez tenhamos de optar entre indicar o professor Possidônio como Compositor ou como um intelectual humanista. Questionada, a comissão encarregada de dirimir dúvidas esquivou-se, responsabilizando-nos pela escolha:– “quem indica é que deve saber!”, foi o que disseram, não sem razão.

Seja como for resolvida a questão, porque pressinto que não haverá unanimidade nas opiniões, quero adiantar a minha: sem desdouro nenhum para a sua importante obra musical; penso que o que torna excelsa a sua figura são estes predicados muito bem assinalados pelo seu velho amigo, o poeta Luiz Lopes Sobrinho, isto de ter sido a um tempo Sábio e Santo, na carcaça de um cidadão comum, na feliz expressão do Professor Cineas Santos.

Sei, perfeitamente, que se for indicado como músico não fará nenhum fiasco mas lembro que há inúmeros compositores falecidos cujas músicas influenciaram toda uma geração e já fazem parte do nosso mais legítimo patrimônio cultural, pessoas que, com suas composições, marcaram a vida de inúmeras pessoas por este Brasil afora. Teriam, as pouco conhecidas belas valsas do Professor Possidônio o condão de fazer penderem para o seu lado as preferências dos jurados? Para ser sincero eu não apostaria um centavo nessa zebra.

De outra parte, num país, como o nosso, onde a taxa de moralidade pública e privada desceu a níveis rasteiros, um país que fabrica, aos montes, universitários semi-alfabetizados, a figura impoluta e inatacável do Professor Possidônio Queiroz - negro,autodidata, baixinho, feio nas suas orelhas de abano - cujos “... atos e os fatos mais notáveis da caminhada”..., “foram, a bem da verdade, sua inquestionável solidariedade, fraternidade e amor ao próximo, mercê de sua humildade, lealdade, sinceridade e seu estado permanente e lúcido em lidar com o perfeccionismo, tendo como lema máximo, a verdade, fonte de toda sua invulgar sapiência” (dei a palavra a Francisco Pereira Ferraz), tem, certamente, todas a condições de influenciar o juri favoravelmente, ainda mais diante da campanha
que nós fizemos, mobilizando seus fieis admiradores e demonstrando, de todas as maneiras, a retidão do caráter e o profundo humanismo do Bruxo velho de Oeiras. E suas Valsas Piauienses entram como um precioso dote, podendo constituir-se num comprovante sonoro da sua genialidade.
Joca Oeiras

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