domingo, 31 de maio de 2009

TIO POSSIDÔNIO

Desenho de Gerson Oeirense aos 8 anos

Recordo que, quando residia em Oeiras, no auge dos meus três aninhos, morava na casa da minha avó Aldenora Campos (hoje casa da tia Ceiça). Ficava exatamente ao lado da casa do "Tio" Possidônio, como eu o chamava, carinhosamente.

Lembro que fiz muitas visitas ao tio e adorava ficar entre os seus vários livros. Enquanto o meu pai conversava, filmava...eu ficava lá só olhando! O "Tio" Possidônio era sim,essa pessoa maravilhosa! Pena que o nosso querido Joca não o conheceu.

Aproveito a oportunidade do seu centenário de nascimento para agradecê-lo ao depoimento que fez em 1992 sobre como deveria ser o meu aniversário de 15 anos. Este foi guardado, sob sigilo, e exibido, pelo meu PAI, no dia da minha festa. Para mim foi um momento de muita emoção.Sei que não está aqui fisicamente mas você, "Tio" Possi estará sempre presente em nossos corações, em nossa mente através dos seus ensinamentos!

Lamento que os meus irmãos, Gérson e Letícia, não tiveram a mesma sorte que eu. A minha convivência com ele foi curta, mas inesquecível...Agora imaginem vocês uma conversa entre o tio Possi e o meu irmão Gérson?

Ia dá o que falar...

Laís Lopes Reis (2004)
_____________________________________________
Desde menina aprendi a cultuar muito a cultura, e sou uma real amante! Muito ouvia falar de Possidônio, nunca o conhecera, mas sei que, de certo, meu pai sim!
De renome nacional o grande músico flautista!....

Foi em uma de minhas leituras que, hà tempos, encontrei um velho depoimento do grande Queiroz...e passei a conhecê-lo mais...e admirá-lo...não tenho conhecimento real, mas pouco...pouquissimo!extremamente fiasco! Mas é algo que, resumido, está abaixo numa síntese "poematica" (se posso chamar assim).

Possidônio!

"Palmas...palmas!
para o maior flautista do Piauí"!
mestre Emanuel Coelho disse...
Em que posso contestá-lo?!

Negro, miúdo,
Amante da musica e leitura!
Mente grandiosa! lábios "flautisticos"
nome cultuado
cultura resplandecente!
professor!
tio Queiroz!
gratuito e elogiado
"tinha mania de ensinar"
disse ele! Doces versos magros...
espírito dispersivo!
caixão:estupefato de musica e coisas...

Instituto histórico
sócio fundador!
Dois anos secretario...
Ilustre presidente!
Orador oficial!
“multiuso”!
Qualidade incontestável!

Até o pseudo herói Prestes
Aclamado! Enriquecido das palavras de Queiroz!
Boas leituras! Os Sermões!
Lidos todos os volumes!
...do maior pregador já existente!

Conhecedor, historiador!
“Aclamador” da velha Cap!
Como dizia Luiz Carvalho:
“doce velhinha de cabelos brancos!”

centenário: aqui “jaz “ Possidônio!
guardado nos labirintos do peito!
Nas aclamações incansáveis!
Nas saudações mais que mais ilustres...

Uma Festa Magnífica

ANNA BARBARA(08/05/O4)

sábado, 30 de maio de 2009

MÚSICA QUE AMENIZA A VIA CRUCIS

Valsas piauienses: O CD
De: gislenoffeitosa gislenoffeitosa@xxxxxx

Assunto: Re: Possidônio Queiroz

Para: "Joca Oeiras" jocaoeiras@yahoo.com.br

Data: Sábado, 30 de Maio de 2009, 17:53

“Seu” Joca Oeiras (anjo andarilho):

Atolado na minha flácida ignorância, o via falar tanto de Possidônio Queiroz e nem me aluía. Quando troco de carro costumo “equipá-lo” com um CD ou DVD novo ou diferente. No último, pus um de valsinhas a fim de amenizar o sofrimento na “via crucis” (qualquer umas das pontes que ligam o centro à zona leste) da volta ao lar, toda santa noite.

Gostei tanto que nunca mudei. Minto: só o revezei, algumas vezes com o “Nascente” de Erisvaldo Borges. Pois não é que, por acaso, ele ejetou, dia desses. Imagine a minha cara de abestalhado ao ler o nome: “Valsas Piauienses” de Possidônio Nunes Queiroz.

O “Mestre” tão pertinho de mim, tocando pra mim e eu nem me tocava (desculpe a infâmia do trocadilho). Se não fosse por você, eu ainda estaria boiando! Confúcio tem mais do que razão quando diz que "A ignorância é a noite da mente: mas uma noite sem lua e sem estrelas."

Obrigado por ter desanuviado minha mente.

Do seu criado e leitor. Gisleno Feitosa.

E A MULHER, DE QUE FOI FEITA?

"Vênus e Pássaro", de Dacosta
Obra prima de Deus, esmerou-se o Eterno na criação da Mulher. Ao homem, fê-lo Jeová, de barro, a mulher, não...Feito o homem, passou o criador vários dias, pensando como faria sua obra suprema. Excogitando, imaginando como modelaria a criatura que seria a representação do próprio Deus na Terra.

A Bíblia afirma que Deus fez Eva de uma costela de Adão. Neste caso, a mulher teria vindo também de barro. A Bíblia é o livro sagrado, o livro de ouro da verdade. Mas... Prefiro pensar como se fora um poeta...Depois de ver tudo o que havia feito, e excogitando na criação de sua obra suprema, mandou o eterno, legiões de Anjos a voejarem pelo espaço e recolherem, e lhe trazerem tudo quanto de belo encontrassem.

Alígeros, de asas pandas e opalescentes, elegantes no seu vôo algo divinatório, pervagaram os emissários do Céu pelos quadrantes do orbe, e trouxeram, e entregaram ao artífice inimitável o material filigrânico que recolheram.

- Das nuvens trouxeram a alvinitência, quando esgarçadas; e as nuanças multicoloridas de suas cambiantes admiráveis;

– das estrelas, a luz palpitante de suas irisações eternas;

- do vento, a suave e doce vibração de suas auras mansas;

-dos lagos, a poesia de sua plácida quietude e o lampejo das maravilhosas tremulinas;

- dos rios, o marulho da correnteza, a defluir vagarosa, e estrondear medonho, apocalíptico, de suas cachoeiras, nas quais, no tombo da queda, a água corre apressada, gemente, angustiada, rasgando-se os bicos das pedras graníticas;

- do mar, a soberba majestade de seus enormes vagalhões indomáveis na sua força hercúlea, e o múrmuro movimento das ondas mansas, - mádido queixume lançado contra a sua eterna e irremediável prisão;

- do rouxinol e das aves que melhor cantem, a melodiosa, encantadora e envolvente musicalidade da voz;

- do pombo, a beleza de seus movimentos giratórios, de seus poéticos meneios em torno da columbina requestada, e o lírico, turturino canto com que emociona e conquista o
pequeno coração da companheira;

- da fonte dos perfumes, todos os aromas doces e embriagadores que enternecem a alma e os sentidos;

- do berço da aurora, as cores celestes, cambiantes, purpurinas, com que a mãe Natura, - paisagista como não há igual, prepara e enfeita os seus dilúculos maravilhosos, e os vai transformando, sob a sinfonia wagneriana dos pássaros, num berço de ouro, digno do nascimento do Astro Rei; e... que mais? Não sei...

O eterno recebeu todas essas coisas e amalgamou-as num vaso alabastrino, recolhendo de tudo, um pouco do melhor. Depois concentrou-se, tirando do imo, a inspiração mais alta. E, por fim, com os dedos luminescentes, plasmou, maravilhosa e artisticamente, o corpo da Mulher.


As sobras daquele amálgama soberbo, daquela mistura celeste preparada, dosada amoravelmente para a feitura da obra prima da criação, atirou-as o Senhor, sorrindo, à campina. E delas surgiram: a música e as flores...
Possidônio Queiroz

POSSI E A ERA DO RÁDIO

Émile Waldteufel (1837 - 1915), compositor de valsas francesas

Quanto às Valsas do professor Possidônio, embora possuam uma morfologia mais rebuscada à la européia, a meu ver se aproximam mais das valsas francesas. Ele se beneficiou, como toda a sua geração de músicos, poetas, artistas de modo geral, das benesses do Rádio, com a divulgação de músicas que fizeram o retrato cultural-musical do nosso povo, ouvindo Patápio Silva, Pixinguinha, entre outros chorões e, quem sabe, Villa Lobos.

Maestro Emmanuel Coelho Maciel

POSSIDÔNIO: PATRIMÔNIO CULTURAL OEIRENSE

Johann Strauss Jr
Pouco antes de dirigir-me ao centro de cultura estive ouvindo, em casa, algumas das famosas valsas de Johann Strauss (Contos dos Bosques de Viena, Danúbio Azul, Vida de Artista, Vozes da Primavera, entre outras) e atrevo-me a afirmar que tem muita semelhança o estilo do compositor oeirense com o europeu. Nada de semelhança de melodias, todas autênticas, mas de estilo. Custa acreditar que um compositor autodidata, filho da antiga Capital do Piauí, de onde nunca saiu para realizar estudos em centros onde pudesse adquirir maiores conhecimentos, tenha se esmerado tanto na feitura da sua obra.

Confesso que fiquei emocionado e maravilhado cada vez mais com o velho Possidônio Queiroz, a quem conheci em 1953 participando, junto comigo e outros candidatos, do concurso para advogado provisionado no Tribunal de Justiça, do qual ele e eu saímos com os dois primeiros lugares. Possidônio é uma figura impressionante com a qual me identifiquei rapidamente, inclusive pela condição de flautistas que fomos. Perdeu muito quem não assistiu a grandiosa festa lítero-musical que significou expressiva e merecida homenagem ao querido filho de Oeiras que dele deve se orgulhar pelo patrimônio cultural que representa.

José Lopes dos Santos

sexta-feira, 29 de maio de 2009

UM ORÁCULO EM OEIRAS?

Foi Professor, Advogado, Pesquisador, Historiador, Poeta, Filósofo, Compositor e Músico Clássico, imbuído de reputação ilibada, dotado de notabilíssima sapiência intelectual, em todos os ramos de atividades susceptíveis de atuações humanas. Era considerado no Estado do Piauí, de modo particular em Oeiras, como um Oráculo, e as suas gerações contemporâneas, nada tentavam realizar, sem antes, ouví-lo ou consultá-lo.

Os atos e os fatos mais notáveis da caminhada do provecto Professor Possidônio Nunes de Queiroz, foram, a bem da verdade, sua inquestionável solidariedade, fraternidade e amor ao próximo, mercê de sua humildade, lealdade, sinceridade e seu estado permanente e lúcido em lidar com o perfeccionismo, tendo como lema máximo, a verdade, fonte de toda sua invulgar sapiência. Todos aqueles que tiveram o prazer e o privilégio de manter com ele qualquer tipo de diálogo, ficavam extasiados com sua notabilíssima faculdade de reter idéias, impressões ou quaisquer informações de toda ordem, adquiridas ao longo do tempo.

Posso afirmar, sem receios de cometer quaisquer tipos de exageros, que tratava-se indubitavelmente de um raríssimo Autodidata, intelectual renomeado, e mais do que isso, de um Sábio e Grande Mestre.

Devo dizer, tratar-se comparativamente no tempo e no espaço, analogicamente à Astronomia, que o preclaro mestre seria semelhante ao Sistema Solar, sendo ele o Grande Astro e os demais interlocutores, de toda ordem intelectual, gravitavam em torno dele e facilmente se submetiam ao seu irretocável poder de atração, e o que era um diálogo inicial, pela própria natureza dos fatos, transformava-se, de imediato, em monólogo de indescritível beleza e subtraído de quaisquer resquícios de enfadoneidade. Ninguém se sentia incomodado ou em fase de cansaço e o monólogo às vezes se prolongava pela madrugada afora e sempre todos saíam em estado de pleno encanto e de contentamento. O procedimento era o mesmo para quaisquer que fossem os cidadãos e seus afãs: intelectuais locais, pessoas de Nível Médio, gente de escolaridade Primária, Analfabetos, intelectuais do Estado, e de outros Estados e até a nível Internacional, esses a despeito de se fazerem ouvir em idiomas estrangeiros, como foi o seu singular contacto, mantido mais precisamente a treze de agosto de mil novecentos e setenta e seis, com o Núncio Apostólico D. Carmine Rocco, por ocasião de sua visita à Diocese de Oeiras. Repito, como frizei anteriormente, todos, do Sábio Mestre , se aproximavam para dialogar, todavia, logo o diálogo voluntariamente se evoluía para um solilóquio e os interlocutores se limitavam a ouvi-lo por horas e horas a fio, sempre no intuito de aprender algo mais. Nesse afã, todos descobriam com singular relatividade e facilidade, encontrarem-se diante de um SÁBIO. Quem não gostaria de ouvir um sábio, se até as multidões o fazem e com irrestrita paciência?

O meu maior relacionamento com o insigne mestre, também se deu de forma análoga aos demais interlocutores e em uma fase da minha meninice, em razão de logo a minha Família haver se transferido para Teresina e posteriormente para o Rio de Janeiro. Nosso diálogo sempre foi de Mestre para discípulo e vice-versa. Cabe ressaltar que de nosso salutar convívio, todas as minhas indecisões e dificuldades eram sanadas em longos, didáticos e agradabilíssimos sermões. Do relato no parágrafo precedente, pode-se concluír através de pouco esforço interpretativo de que tudo o que o Professor Possidônio produziu e se exemplificou, foi muito importante e especial. Isto se evidenciará, obviamente, nas palavras de quaisquer depoentes que ousem a bibliografar este notável oeirense. Suas particularidades pertenciam aos oeirenses, indistintamente de seus matizes. Constituíam-se partes integrantes de sua invulgar personalidade. Após minha partida da Terra de Mafrense, mantivemos comunicações de caráter epistolar. Quando executava as minhas ligeiras estadas ao Piauí, atribuía-me sempre o dever de visitar o grande vate. A última visita que lhe fiz foi precisamente quando faltavam apenas trinta e cinco dias para o seu desaparecimento, ocorrido a primeiro de janeiro de mil novecentos e noventa seis.

Encontrei-o já completamente cego e com um processo de hipocofose quase completo, porém de nada se lamentava, tendo a plena convicção de tratar-se do ônus de mera longevidade e o assunto era como foi sempre o mesmo, isto é, não se tratar de doença, velhice ou seus anexos, mas somente de temas culturais generalizados. O Professor Possidônio nasceu e morreu jovem, senão vejamos: Por ocasião desta minha última visita, tratávamos de temas ligados às memoráveis atuações de Ruy Barbosa de Oliveira, como advogado, mormente, ante o Supremo Tribunal Federal ( S T F ), na consecução dos primeiros hábeas corpus no País. De imediato ele chamou a sua filha adotiva Vitória e solicitou-lhe que se dirigisse à Biblioteca e que procurasse na estante de número cinco, à prateleira número quatro, o décimo volume, a contar de baixo para cima. Isto feito, entregou-me a obra, escrita em mil novecentos e vinte e dois e disse-me, abra-a à página cinqüenta e um. Lá estavam exatamente descritos todos os assuntos de que falávamos. Esta passagem foi emociante e evidencia exatamente a sua sempre jovialidade, do nascer ao desaparecer, fruto com certeza do início muito precoce de suas atividades intelectuais nas quais atuou indelevelmente por mais de oitenta anos consecutivos, ininterruptamente.

O Professor Possidônio não era dado a participar de reportagens onde fossem utilizadas fotografias ou outros meios auxiliares mais modernos de sua época de moço. Fotografias somente as que tinham ligações eminentemente familiares e de muita privacidade. Era um grande valorizador do fator tempo e quase não o perdia, pois costumeiramente só se recolhia ao leito de repouso, pela alta madrugada, dormindo sistematicamente apenas cerca de quatro horas por dia. Até para se deslocar para uma casa comercial que possuía, lia alguma coisa durante o pequeno trajeto, daí seu ininterrupto exercício intelectual ao longo de sua caminhada em todo o curso de sua vida terrena.

O incansável amante da Terra Máter era eminentemente um homem cívico por excelência, tendo tomado parte ativamente em todas as atividades cívicas ocorridas em Oeiras, ao longo de sua caminhada, destacando-se, somente para citar algumas: - as solenidades comemorativas do centenário de nossa Independência, as campanhas para a manutenção do nome da Oeiras Invicta e as campanhas para a criação, organização, instalação e funcionamento da Diocese de Oeiras.

O grande fulgor e os desdobramentos anunciados nos sintéticos dados biográficos descritos anteriormente, levariam à edição de um volume de páginas quilométricas, não se adequando ao trabalho sinóptico que me foi solicitado.

Francisco Pereira Ferraz

Rio de Janeiro, RJ, 17 de maio de 2004 (texto inédito)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

ELE NÃO SABIA TUDO: EIS A PROVA

Joaquim Cabloclo e um Baobá
Ouvido durante uma conversa entre Joaquim Caboclo e Possidônio Queiroz:

– Dizem que você sabe tudo, Possidônio. Vamos ver se é mesmo verdade.

Você sabe me dizer qual o maior pau do mundo?

Possidônio, que não perdia a menor deixa para ensinar alguma coisa, começou a falar:

– Jovem, Sequóias são árvores enormes, nativas da América do Norte e que chegam a viver cerca de 4000 anos, Os Baobás, são árvores nativas da ilha de Madagascar, do continente africano e da Austrália e que também atingem tamanho extraordinário...

Mas o Joaquim Caboclo nem deixou Possi terminar de falar e sapecou:

– Que nada Possidônio. O maior pau do mundo é o Capitão de Campos que já nasce com a patente de Capitão.
Joca Oeiras

quarta-feira, 27 de maio de 2009

DONA CLOTILDES

Coló: uma figura!ph Rosa da Caatinga

RELEMBRANDO A COLUNA PRESTES

O Natal de 1925 transcorreu sobremodo angustioso para a Cidade de Saraiva. A Capital piauiense, transformada em praça de guerra, esteve vários dias sob ameaça de invasão, na mira dos revolucionários da “Coluna Prestes”. Todo o Piauí se agitou, sofreu, sobressaltou-se. Por toda parte se ouvia falar de revolucionários e se contavam histórias fantásticas, de que os mesmos por onde passavam, deixavam um rastro de misérias, cometiam as maiores atrocidades.

Forças egressas do malogrado movimento paulista de 05 de julho de 1924, juntaram-se a tropas do Cap. Luis Carlos Prestes e formaram a renomeada “Coluna Prestes”, a qual, sob o comando do referido Oficial e do Gal. Miguel Costa, percorreu grande parte do território nacional, tendo nas suas marchas e contramarchas palmilhado cerca de 36.000 quilômetros da terra brasílica, executando façanhas admiráveis, através dos muitos combates travados e da estratégia posta em prática, coisa que, sem nenhuma dúvida, constituíram brilhantes feitos militares.

Em novembro de 1925, penetrou a “Coluna Prestes” o território maranhense. Além dos comandantes supremos, um séqüito de oficiais valorosos e idealistas a compunham, entre eles os Coronéis revolucionários: Juarez Távora, João Alberto Lins e Barros, Osvaldo Cordeiro de Farias e Antônio de Siqueira Campos.

No Maranhão, como se lê em “Uma Vida e muitas lutas” de autoria do Egrégio Marechal Juarez Távora, estacionou a Coluna na cidade de Carolina, e dali rumou para o Piauí, visando à captura de Teresina.

Na opinião do Exmo. Sr. Gal. Moysés Castello Branco Filho. (Depoimento para a História da Revolução no Piauí), nenhum motivo político ou militar deu razão a que a “Coluna Prestes” invadisse o Piauí senão o propósito de se levar o movimento ao interior do Brasil.

O mesmo autorizado autor diz ainda, na obra citada, que ao marcharem contra Teresina, com o fito de ocupá-la, tinham os revolucionários em mira duas coisas: a apreensão de armas e munições de que estavam carentes e a repercussão do grande efeito moral que o fato constituiria.

A Cidade Verde estava bem aparelhada para a defesa. Milhares de homens a guarneciam. Uma flotilha de vapores e lanchas, fortemente armados, sob o comando do Capitão-Tenente Humberto de Área Leão, patrulhava o rio Parnaíba.

O primeiro encontro das forças de defesa de nossa Capital com os elementos rebeldes, deu-se em Benedito Leite e Uruçuí, praças essas que foram abandonadas pelos legalistas. Desses pontos, sem maiores dificuldades, salvo uma que outra escaramuça de somenos importância, seguindo a uma e outra margem do Parnaíba, chegou a famosa “Coluna” às portas de Teresina, que atacou animosamente, durante vários dias.

Com a prisão do Comandante Juarez Távora, ocorrida nos arredores de Teresina, na manhã de 31 de dezembro de 1925, e verificada a impossibilidade de capturar a capital piauiense, retiraram-se os revolucionários e se internaram pelos sertões nordestinos, por onde andaram muito tempo, enfrentando as maiores peripécias, lutando com as tropas regulares mais numerosas e, o que era pior, com hordas desenfreadas, sanguinárias de jagunços e cangaceiros.

Neste 1985, e pelo NATAL, estaremos recordando que há sessenta anos viveu a Cidade Verde, dias de grande ansiedade. Muitos dos que viram aqueles lances, e ouviram os gemidos da terra querida, e as mães chorando, rezando, imprecando; muitos dos que na noite sagrada, do NASCIMENTO, em vez da voz amiga, voz argentina dos bronzes das torres, tiveram os tímpanos auditivos cheios do estalejar sinistro dos projéteis ejetados, em raivosas rajadas das bocas das metralhadoras; muitos ainda estão vivos. Muitos.

Rememorar esses fatos históricos, é viver uma página tétrica, extraordinária da vida do Estado. Página que nos trás à memória a inquietude do povo piauiense, sobretudo da população de nossa cidade mãe; página que nos recorda o valor dos beligerantes - dos que atacavam e dos que defendiam; finalmente, o que nos traz aos corações agradecidos, a lembrança do gesto cristão, fraternal de S. Exa. Revma. o Sr. D. Severino Vieira de Melo, de saudosa memória, Bispo do Piauí, zeloso da tranqüilidade de seu rebanho, deslocando-se, a cavalo, de Teresina a Natal (hoje Monsenhor Gil), onde se encontrava o quartel general revolucionário, para parlamentar com os generais: Prestes e Miguel Costa.

Levou S. Exa a empreender essa viagem, algo arriscada, atravessando aqui e ali, contingentes revolucionários, o desejo de alcançar o levantamento do cerco da Capital, cujos habitantes viviam angustiados, tomados de pânico, temendo a possibilidade de luta sangrenta dentro das próprias ruas da cidade, de efeitos catastróficos, imprevisíveis.

O ilustre Prelado foi portador de uma carta dirigida ao Gal. Prestes pelo Cel. Revolucionário Juarez Távora, com quem D. Severino conversara demoradamente no quartel do 25º BC, no mesmo dia da prisão dele Juarez. Nessa carta se aventava a possibilidade do levantamento do cerco da capital piauiense. O documento foi entregue a Prestes no dia 03 de janeiro de 1926. “No dia seguinte Dom Severino recebeu a visita de Miguel Costa, Carlos Prestes, Cordeiro de Farias e Lourenço Lima. (Gal. Moysés Castello Branco Filho, depoimento para a – História da Revolução no Piauí).

O entendimento deu o resultado almejado. Foi, portanto, providencial a ida do Sr. Bispo a Natal. As forças rebeldes deixaram o Piauí. A Cidade Verde respirou desafogada.

Deixando o território piauiense, nos primeiros dias de janeiro de 1926, incursionou a “Coluna Prestes” pelo Ceará, Bahia e outros pontos. Todo mundo se levantou contra os revolucionários, a respeito dos quais se contavam coisas inverossímeis.

“A idéia generalizada era de que os revoltosos, não passavam de homens estranhos, de barbas longas e grande estatura capazes de proezas e atos de crueldade que ninguém sabia definir”.


Chefes políticos e ricos fazendeiros arrebanharam cangaceiros e jagunços - horda sinistra - para dar combate ao “Cavaleiro da Esperança”. Lampião, o célebre bandoleiro nordestino, teria recebido a patente de Capitão, para, à frente do seu bando, dar caça aos rebeldes. Em “O Estado de S. Paulo”, mesma edição e página atrás citada, lê-se: - “A Coluna está agora nos domínios de Franlkin de Albuquerque, chefe-jagunço a quem Artur Bernardes acaba de nomear Tenente-Coronel da reserva do Exército.” (Sic.).

Em julho de 1926, depois de marchas e contramarchas, encontra-se a “Coluna Prestes” outra vez no Piauí. Em meado desse mês acampa em Oeiras. Aqui se demora vários dias. Passando o susto do primeiro momento, entra a cidade a viver um clima de calma e até de confiança. A velha urbe estava cheia de homens barbados, que portavam lenço vermelho ao pescoço e tinha, na fala, um sotaque diferente dos nordestinos, porque muitos eram sulistas. O povo admirado sai às ruas. Olha aquela gente estranha. Conversa com chefes e soldados.

Durante o tempo que a coluna permaneceu em Oeiras, houve absoluta ordem. Somente um fato a lamentar. No dia em que aqui chegaram, a seis quilômetro da cidade, uma patrulha revolucionária deu com um vaqueiro no campo. Este, vendo homens armados, de lenço vermelho, já havendo notícias (e que notícias!...) dos revolucionários, corre. Intimado para esbarrar, acicata o cavalo e dispara. Os rebeldes vão-lhe ao encalço. Detonam armas. Um dos projéteis atinge o vaqueiro na região glútea direita, ficando alojado no corpo do paciente.

Procurado pelo Sr. Manoel do Nascimento Rego (Nesinho da Talhada), fomos, - o rabiscador destas linhas e ele - ao quartel general, aboletado no antigo Palácio Napomuceno, onde hoje se encontra o Museu de Arte Sacra.

Recebeu-nos, atenciosamente, o chefe militar Luís Carlos Prestes. Ouviu o Sr. Nesinho, tio do Florêncio, o vaqueiro baleado, a narração do fato. Lastimou o ocorrido. E mandou que o paciente fosse levado para a vasta casa da antiga Fazenda Canela, onde fora instalada a enfermaria revolucionária. Ali, um veterinário extraiu a bala. Florêncio recuperou-se.

Luis Carlos Prestes tinha, então, 28 anos. Barbado, estatura mediana, pareceu-nos, pela fala, pelos gestos e pelo olhar, um homem bom, mas sumamente preocupado. No velho sobrado atendia ele a quantos o procuravam, e pela maneira como nos recebeu, creio que solucionava, a contento, os problemas que lhe eram apresentados. Uma coisa soube-se depois, é que jamais pernoitara no sobrado. Fazia-o, cada dia, em postos diferentes dos arredores da cidade.

O povo admirava os chefes revolucionários. O Cel. Siqueira Campos foi visto por diversos em uma barbearia. Tirava a camisa devido o calor, e todos viram a cicatriz que ele tinha no ventre, resultado da melindrosa operação com que foi salvo depois do assalto a baioneta sofrido por ele, o bravo Eduardo Gomes e outros, quando a luta homérica da Praia Vermelha, em que se empenharam os dezoito de Copacabana.

Autoridades, comerciantes e pessoas de prol faziam roda e conversavam animadamente com os Oficiais. Entre estes, havia um conhecido por Te. Jordão. Um dia estávamos a conversar com ele, o Sr. Jeconias Nogueira Tapety (alto comerciante) e o autor destas linhas. Havia falta de cigarros na praça. Jeconias, conhecido por Barra Tapety, por ser baixo e gordo, pediu-lhe um cigarro e queixou-se da falta do produto na cidade. O Te. Jordão foi ao acampamento e trouxe um pacote de bons cigarros com que presenteou o queixoso.

Apesar de sempre advertidos contra as ciladas de Marte, não eram homens introvertidos. Muitos gostavam de cantar, tocar violão, relembrar os pagos idolatrados, que talvez jamais veriam. Em Floriano, conta o Cel. João Alberto, depois de um jantar em casa de pessoa simpatizante da Revolução, todos ficaram admirados, quando ele pedindo licença, sentou-se ao piano e executou alguns trechos.

Àquele tempo fazíamos de músico. Gostávamos de dedilhar o belo instrumento de Marsias criara. Souberam disso. E uma noite nos convidaram para uma tertúlia em casa do pistonista Santo Polidoro. Tínhamos então vinte e dois anos. Os de casa, sobretudo os autores dos nossos dias, ficaram aflitos. O Te. Jordão acalmou, garantindo que às vinte e duas horas estaríamos de volta, o que sucedeu.

Nas noites seguintes, vinha sempre um grupo de músicos a nossa casa. O sargento Álvaro, um moço simpático, paulista de nascimento, cantava emocionado, a valsa “Supremo Adeus”, com uns versos de que a memória só nos traz agora os seguintes: - “Adeus São Paulo terra querida / adeus, terra do meu coração, / vou partir para Mato Grosso, / vou para a Revolução.”

Gaúchos, soluçavam com os seus violões, a nostálgica, típica e conhecida canção: - “Eu nasci naquela serra / num ranchinho a beira-chão, / todo cheio de buracos / onde a lua faz clarão, / quando chega a madrugada / lá, na mata a passarada / principia um barulhão.”

O sargento Álvaro nos fez presente de uma flauta de ébano, maior, mais moderna que a nossa. Esse instrumento eles levaram. Uma noite, disseram-me: - “Vamos fazer uma serenata. Você não vai. Empreste-nos a flauta, amanhã lha devolveremos.” Fizeram a seresta. Tocaram e cantaram em nossa porta. Somente no dia seguinte soubemos. Morfeu não dos deixou ouvir nada.

Pois bem. Na noite da serenata, lá pela madrugada, tiveram de deixar Oeiras, muito à pressa. É que uma coluna do 12º RI, de Minas, vinha em perseguição a eles, e no lugar “Curralinho”, a uns 60 Km da Velhacap, houve um choque entre patrulhas avançadas dos dois corpos militares. Pela manhã restavam aqui, apenas, as forças necessárias a cobrir a retirada.

O Sr. José Nogueira Tapety, genitor do Deputado Juarez Tapety, atual Secretário de Segurança do Estado, palestrava sempre com os revolucionários. Trazia o Gal. Prestes um mapa do Brasil, relativamente pequeno e já surrado, com registro de todo o percurso feito nas andanças da Coluna ate Oeiras. Depois de entendimentos, Tapety que possuía um mapa novo e maior, trocou-o pelo dos revolucionários. Esse mapa, que se encontra em poder da Família Tapety, tem enorme valor histórico. Na carta geográfica que pertenceu ao Estado-Maior Revolucionário, lê-se ao lado esquerdo, no alto, a seguinte dedicatória: - “Marcha dos Revolucionários de 1924, percurso de 2.500 Léguas de Puerto Adela (Paraguai) a Jurumenha (2ª passagem). Lembrança ao Sr José Nogueira cTapety que nos oferereceu outro mapa mais apropriado. Oeiras, 22 de julho de 1926. A General Miguel Costa . General Luiz Carlos Prestes.”

Estas as impressões que temos dos Chefes componentes da “Coluna Prestes”: de homens que lutavam por um ideal - moralização dos costumes políticos da velha República e o voto secreto. //

Lutaram, sofreram, aforçuraram-se, numa marca sem precedentes pelo imenso território nacional, escrevendo páginas de um heroísmo invulgar, digno do maior respeito, pondo em prática táticas militares extraordinárias, livrando-se de encurralamentos de que se dizia não poderiam sair; fazendo com que esquadrões governistas se lançassem um contra o outro, num tiroteio de horas e horas, resultando disso centenas de mortes e o suicídio do Major Artur de Almeida, Comandante de um batalhão da polícia paulista responsabilizado pelo erro e chamado a responder Conselho de Guerra; e, finalmente, exaustos, deprimidos, quase sem armas e munições, dirigem-se, lutando sempre, rumo à Bolívia, onde se internam a 03 de fevereiro de 1927. Ali são asilados. Um punhado de lutadores 620 homens apenas. No dia seguinte, 04 de fevereiro, lavram-se os termos do asilo. Assinam o documento os generais Miguel Costa, Luis Carlos Prestes e o Major Heliodoro Carmona Rodo, comandante da Guarnição Boliviana da Vila de San Mathias. Era o fim.
Possidônio Queiroz

terça-feira, 26 de maio de 2009

A ARMA SECRETA

Muita gente afirma que o traço mais marcante na personalidade de Possi era o seu permanente desejo de transmitir conhecimento. Deu aulas de Português, por anos, no, para muitos saudoso, Ginásio Municipal Oeirense e, é claro, nem todos os alunos tinham interesse em aprender. E foi assim pela vida toda, nem sempre encontrou platéias ávidas em ouvi-lo. Nada disso o fazia esmorecer ou, sequer, irritar-se.

Certa vez o Dr Bill lhe perguntou como conseguia manter-se sempre tão calmo e complacente em qualquer situação, por mais crítica que fosse. Sua resposta foi uma revelação: – Jovem, tenho uma provisão de paciência!

A VERDADE SEM PERDER A TERNURA

Uma palavra má nunca manchou os seus lábios (Luiz Lopes Sobrinho)
Amadeu Reis, o Amadeuzinho,é uma das figuras mais encantadoras que já que conheci na minha vida. Atrapalhado, na definição de alguns, tem nesse seu jeito, e no fato de nunca se avexar por causa disso, um charme todo especial. Ao dirigir-se, por exemplo, ao grande escritor oeirense OG Rego de Carvalho, autor de “Rio Subterrâneo” saiu-se com esta: Geraldo, li aquele seu livro “Mar Mediterrâneo” mas confesso que não entendi nada!

Ele, que já foi Adjunto de Promotor Público e Juiz de Direito da Comarca de Oeiras, conta , sem o menor constrangimento, achando, mesmo, muita graça que, um belo dia, Possidônio recebeu correspondência da filha de Luiz Carlos Prestes, Anita Leocádia, agradecendo a calorosa recepção prestada a seu pai (1987) Quando a carta chegou estavam, Amadeuzinho e Possi, conversando defronte à casa do professor. Enxergando mal, Possidônio pediu ao amigo que lesse a carta. E o Amadeuzinho não se fez de rogado. Terminada a leitura, perguntou: – gostou? Possi, incapaz de ser indelicado ou de mentir, sapecou: - Jovem, você leu elogiavelmente mal!
Joca Oeiras

segunda-feira, 25 de maio de 2009

POSSIDÔNIO HISTORIADOR


Fac-simile do 1º número de "O Cometa"


A cidade de Oeiras teve no professor Possidônio Nunes de Queiróz um dos seus mais dedicados filhos. A história de Oeiras – e a do Piauí – não seria a mesma sem a presença do professor Possidônio. O seu amor incondicional pela cultura o fez resgatar páginas da história do Piauí. A sua preocupação com a juventude o levou para o Ginásio Municipal Oeirense, onde ensinou a língua pátria a várias gerações. A sua flauta mágica encantava seletas platéias expressando valsas da mais excelsa harmonia, produtos de sua própria criatividade. Compôs músicas para os hinos de Oeiras. Autodidata, exegeta dedicado a literatura clássica Greco - Romana, dominava a ciência do Direito. Homem de profunda convicção religiosa foi ardente defensor da criação da Diocese de Oeiras. Emprestou o seu conhecimento e se posicionava na linha de frente de luta pelas boas causas em defesa do patrimônio cultural, artístico e arquitetônico da primeira capital.
Antônio Reinaldo Soares Filho


Professor Possidônio
*Antônio Reinaldo Soares Filho
Oeiras despertou para 1996 sentindo a falta de seu filho Possidônio Nunes de Queiróz, que falecera aos 93 anos de idade. Para os que foram seus alunos no Ginásio Municipal de Oeiras entre 1961 e 1962 ficam a saudade e a dívida de gratidão, pelos ensinamentos da língua pátria que ele tão dedicadamente semeou.

O professor Possidônio se entregou com todas as suas forças àquela missão de mestre. Jamais tratou um discípulo seu com descortesia. Não fazia diferenciação entre os que pertenciam à classe privilegiada e os menos afortunados. Somente encontrava-se afável e condescendente, mesmo quando recebia incompreensões daqueles imaturos jovens, deslumbrados com o início de suas vidas. Ele também sabia esta verdade e perdoava sem deixar qualquer rancor. Suas aulas não eram apenas ensinamento de português, mas também lições de vida.

Seus ex-alunos se recordam das vezes que ficavam distraídos, sem prestar a devida atenção às aulas. Naqueles momentos, ele com paciência, gesticulando pausadamente para dar mais ênfase exclamava: “Oh! Jovens, observai o exemplo de nossos antigos sábios, estudai, aproveitai vosso tempo”. E ele buscava na arcaica Grécia, de séculos antes de Cristo, a sabedoria e os ensinamentos de Platão e de Sócrates que tão profundamente conhecia. Muitos de nós tomamos pela primeira vez conhecimento daqueles grandes clássicos através das admiráveis citações de seus feitos. Sempre cumpriu rigorosamente o horário de início das suas aulas, sem, contudo render-se ao sinal de encerramento. Às vezes divagava e passava a dissertar sobre filosofia, astronomia, botânica, música a até as matemáticas.

Em outras, falava de Helen Adames Keller surda, muda e cega, que não se deixou abater pelas suas deficiências físicas. Repetia para seus aprendizes, ser ela símbolo da tenacidade em vencer todas aquelas dificuldades, tornando-se uma escritora consagrada, dominando inclusive uma dezena de idiomas. Falava de belos exemplos de vidas a serem seguidas pelos jovens.

A vontade de encontrar discípulos receptivos e a confiança que depositava nos seus alunos era proporcional à esperança de ver florescer em cada um mais um profundo depositário de conhecimentos que, no futuro, viessem trazer orgulho à sua terra que tanto amava sem reservas.

Naquele tempo, Possidônio Queiróz também manteve uma casa comercial pelo lado oeste do Mercado Público. Ali se estabelecia a primeira livraria da velha cidadela. Cadernos, canetas-tinteiro de marca Compactor, coleções de lápis de cor – tão raras naquela época – demais materiais escolares era a ocupação de Zé Barbosa, seu fiel comerciário. Os livros adotados, tais como os de matemática de Carlos Galante ou Ari Quintella, português da editora FTD e outros, cujos nomes a memória com o tempo já apagou, eram expostos em vitrines com portas de vidros – tal como as farmácias de ontem – tamanho era o respeito a eles dedicado. Como comerciante foi muito logrado, vendendo livros em confiança e, por educação, deixava de cobrar os maus pagadores. Talvez tenha sido essa a razão de sua desistência como livreiro.

O nome de Possidônio Queiróz era sempre o primeiro lembrado quando a cidade necessitava de uma personalidade para representá-la. Quantas ilustradas saudações ele pronunciou para preclaros visitantes. A platéia oeirense recebeu seus ensinamentos através das incontáveis conferências proferidas nos palcos, no Instituto Histórico de Oeiras, no jornal “O Cometa” e até em serviços radiofônicos. Os seus impecáveis discursos não serão mais ouvidos.

Toda Oeiras sente sua falta. Aquela reserva intelectual brilhante – disponível, ao alcance de todos – se foi.

Adeus senhor Possidônio.
Teresina, 26 de fevereiro de 1996





*Antônio Reinaldo Soares Filho é membro do Instituto Histórico de Oeiras

Artigo publicado na coluna opinião do Jornal O Dia em 26.02.1996.

sábado, 23 de maio de 2009

GOSTAVA MUITO DE PIMENTA

Sempre estava disposto a ensinar as crianças. Sempre!

Quando eu fazia o ginasial tinha uma colega e amiga, a Maura, que era sobrinha e uma espécie de filha adotiva do Professor Possidônio. Muitas vezes, como também éramos vizinhas, eu ia estudar na casa dela depois do almoço. Ele chegava para almoçar por volta das 13:30h e nos chamava para sentar à mesa: ao tempo que comia, nos ensinava português. Aliás, gostava muito de pimenta.

Rita (de Zé) Gomes

O GRANDE ANFITRIÃO

Índios no Piauí?
Dia de Feira. Três índios chegam a Oeiras.Vendo a multidão que os seguia, como se fossem extra-terrestres, Possidônio Queiroz vai imediatamente se entender com os índios que, finalmente, encontram quem lhes dê a atenção merecida. Possidônio leva-os para sua casa, tira da estante da sala uma garrafa de vinho (de caju?) sacode a poeira e festeja com os visitantes aquele encontro. Conhecedor da história do Piauí, Possidônio sabia que os índios piauienses eram um povo dizimado. E enquanto a cidade inteira via naqueles índios apenas o exótico, Possidônio via-os como visitantes especiais. Possidônio certamente identificou a origem daqueles índios, pois conversou longamente com eles antes de irem embora, naquele mesmo dia. Esse fato, que se passou na década de 60, serve para mostrar quem era Possidônio Queiroz".*

Rogério Newton

texto extraido da Revista Pulsar nº 1, mar/jun 1998

sexta-feira, 22 de maio de 2009

UM ESTADISTA!

Com Labanca , também chamado de "Andarilho Patriota".
Conversaram muito durante as várias passagens do forasteiro por Oeiras

Tempos atrás, no Café Oeiras, fui apresentado ao primeiro hippie que aportou na Velhacap ainda na década de 70. Jó, que na cidade tinha o apelido de Tromba, não me perguntem porque, ainda continuava na estrada e estava de passagem por Oeiras, novamente.

A cantora Vanda Queiroz, neta de Possi, ao rever a figura do Tromba, confessou a forte emocão de que foi tomada: a presença do hippie avivou sua memória de um passado distante – anos 70 – quando, aos seis anos de idade, presenciou altas conversas do Jó com Possidônio, o seu “vozinho” como ela, carinhosamente, o chamava. O Bruxo Velho que, na quente Oeiras, habitualmente usava terno e gravata; era amigo do Jó, o hippie, pois sabia conviver com, e respeitar, as diferenças. Perguntei ao Jó:

– Como você define Possidônio Queiroz?

–Seu Possidônio era um Estadista! respondeu, sem titubear, o velho hippie.

Joca Oeiras

Publicado originalmente no tabloide "O Estado do Piauí, o mais charmoso do Brasil, nº 3 -julho 2004"


UM SONETO PARA POSSIDÔNIO

Diz o ditado popular que cada louco tem sua mania. Os meus amigos mais próximos deveriam saber, portanto, que a minha, desde a tenra infância, é a de garimpar SONETOS. Sou capaz de trocar qualquer outro melhor prazer mundano, melhor na avaliação dos outros, pelo imensurável prazer que me dá a descoberta de um SONETO novo: é coisa de doido, mesmo!

Não é a minha proposta, aqui, porém, falar de mim. Fiz essa introdução apenas para que possam calcular, se esse cálculo for possível, do êxtase com que fui tomado, em janeiro último, quando do meu penúltimo dia de férias em nossa Oeiras.

A convite do querido Carlos Rubem, amigo meu maior de fé, e após a gentil autorização da família, pude visitar e bisbilhotar à vontade a biblioteca de Possidônio Queiroz. Frequenteia-a algumas poucas vezes quando o mestre ainda vivo, mas, talvez um tanto tímido pelo respeito que ele me inspirava, nunca tive a coragem de tocar em nada: ver e ouvir o professor me hipnotizava.

Naquele dia, porém, embora sentindo a presença espiritual de Possidônio (é impossível não sentir a presença dele quando estamos com um livro nas mãos, ainda mais com um livro já anteriormente tocado por suas mãos) procurei dar uma rápida, mas cuidadosa olhada em tudo. E a grande descoberta daquele dia passo a lhes contar agora. Calcule o prazer que ali senti com ela quem for capaz...

Sempre soube que o professor Possidônio e o meu tio, o poeta Luiz Lopes Sobrinho, por quem também nutro um enorme respeito e admiração, foram grandes amigos em vida. Homens ambos de cultura invejável, apaixonados pela arte do bem escrever, fico imaginando quão prazerosa essa amizade não deve de ter sido para os dois. Eu nunca seria capaz de imaginar, entretanto, que aquele dia me reservava descobrir uma prova real, e por escrito, da intimidade de suas almas...

Em oito de fevereiro de 1967, o poeta Luiz Lopes Sobrinho, ao presentear o amigo Possidônio com um exemplar do livro Caminheiros da Sensibilidade, de autoria de J Miguel de Matos, compôs em uma de suas páginas, e de improviso, o belíssimo soneto Oferecimento, o qual envio agora a todos vocês, talvez até em primeira mão, pois não sei se, desligados como são os poetas, o autor tenha se preocupado em tirar uma cópia dele para si, depois de compô-lo e enviá-lo ao dileto amigo.

É uma jóia rara, como rara era a amizade dos dois.
Alguém se habilita a mensurar o prazer que senti naquele dia? Um forte abraço a todos

Aécio Nordman


OFERECIMENTO (Improviso)
ao Caro Amigo Possidônio Queiroz

Tu, Possidônio, que tens alma pura,
A mente clara, espírito iluminado,
Recebe esta lembrança, tão do agrado
Do teu amor do belo e da cultura!

Eu creio que, depois da sepultura,
Um novo mundo há de ser encontrado;
Pois tudo que temos visto e temos amado,
Não poderá ficar na cova escura!

E, quando, um dia, em horas de tristezas,
Tu’alma se esvair nas incertezas
Dos mistérios da vida, em noites calmas,

Relê meus versos, neste livro amigo:
E, então verás que eu estarei contigo,
Na comunhão final das nossas almas!



Teresina, 8-2-1967


Luiz Lopes Sobrinho

publicado originalmente no tabloide "O Estado do Piaui nº3 - julho de 2004". edição comemorativa dos cem anos de nascimento de Possidônio Queiroz

MAGISTER DIXIT

Professores: substantivo, masculino, plural

Tive a honra de conhecer Possidônio Queiroz, velho, com a saúde debilitada, mas com indeclinável vocação para magister dixit, ou seja, alguém que, sobre qualquer assunto, tinha a palavra final. Pesquisador, historiador, músico, Possidônio era, acima de tudo, um professor. Gostava de ensinar, de explicar, de revelar.Prestou inestimáveis serviço à cultura piauiense e faz jus a qualquer homenagem. Particularmente, acho que deveríamos criar uma medalha com o nome dele, algo condizente com a sua importância. Era um sábio na carcaça de um cidadão comum.



Cineas Santos

quinta-feira, 21 de maio de 2009

DIPLOMAS E MENÇÕES HONROSAS











O ROUBO DA AUDITIVA

Aparelho auditivo que pertenceu a Possidônio

Era, a bem dizer, um pobre coitado, bêbado desses que fazem pequenos favores por uma pinga. Chamavam-no Amiguim porque a todos chamava por esse nome que não deixa de ser carinhoso. Como tantos outros pés-rapados, freqüentava a casa do professor Possidônio Queiroz e, como todos os demais, recebia a atenção do mestre.

Corria o ano de 1992 e os problemas de saúde de Possi, aos 88 anos, mais e mais se agravavam. Estava quase cego e a surdez andava em estado avançado. Usava um, hoje jurássico, aparelho auditivo que, muitas vezes, mais ruído fazia do que outra coisa, mas que, é claro, tinha grande utilidade. Um dia descobriu que o citado aparelho havia desaparecido. Procura daqui, procura dali e a inevitável conclusão: o aparelho havia sido furtado.

Houve comoção geral: os parentes, os vizinhos, os amigos mais próximos todos querendo descobrir o ladrão, exaltavam-se. O dono do aparelho, em contrapartida, manteve-se, como sempre, calmo como se nada tivesse acontecido.

Em cidade pequena até as paredes tem olhos e ouvidos atentos e não durou muito para saberem quem roubou e quem foi o receptador de tal roubo, resultando disso que, cerca de oito dias depois, o aparelho já estava novamente na posse do dono.

Ninguém foi preso, não abriram qualquer processo e, passado algum tempo, lá estava o Amigim como se nada tivesse acontecido, fazendo uma nova visita ao professor.
Joca Oeiras a partir de um "causo" contado pelo Carlos Rubem.
Nota: O titulo faz alusão ao famoso "Roubo da Custódia", ocorrido em Oeiras há exatos duzentos anos.

ERA SIMPLES E BOM

Ele era simples e bom
Humilde e sábio
Amava a beleza e a vida
Amava a terra natal
Nasceu a 17 de maio de 1904
Não morreu
Vive na lembrança
De todos os que o amavam
Apenas o corpo cansado
Desapareceu sob a terra
A terra que tanto quis
Ver alcançada às regiões da glória
A terra por quem lutou
Com todas as forças de sua inteligência
Para preservar-lhe o nome querido
Para conceder-lhe um bispado
Acatava a divindade
Respeitava os poderes constituídos
Era amigo dos amigos
Não tinha inimigos
Virtuose da flauta
Compunha valsas de suave melodia
Para as musas da juventude
Para os amigos de antigas serenatas
Pensando em ti
Cecy Carmo
Par Alice
Zeca Amorim na zona
Não escreveu um livro
Mas deixou filhos e netos
E plantou uma árvore
No coração de todos aqueles
Que o conheceram de perto.


José Expedito Rego




quarta-feira, 20 de maio de 2009

DÁ GOSTO SER BRASILEIRO!

Antônio José do Espírito Santo (Spirito Santo) é músico e pesquisador, Trabalha como Arte educador no RJ
O Blog está Fantástico! Já coloquei na barra de favoritos. Incrível mesmo esta figura do Possidônio. Dá gosto ser brasileiro só de saber que criamos figuras assim como ele. Obrigado pelo presente.
Spirito Santo

DONA CLOTILDES, COLÒ

A louca de pedra, Coló, figura popular em Oeiras, que até hoje dorme nas marquises das lojas com seus inúmeros cachorros
morou, durante anos, na casa de Possidônio. Ao referir-se a ela dizia, respeitosamente: – Dona Clotildes...

UM TALENTO EXTRAORDINÁRIO

Emmanuel Coêlho Maciel
Eu o defino como um músico de extremo talento. Um talento extraordinário, uma inventiva fora de série. Porque você vê uma pessoa que viveu a vida toda aqui em Oeiras, longe dos meios de comunicação, sobretudo naquela época, 40/50 anos atrás ele conseguiu fazer uma obra duradoura. Possidônio não teve estudo, foi autodidata com a música, então posso dizer que a obra dele é de um grande aspecto intuitivo. Ele produziu uma obra pequena, o que a gente conseguiu recolher foi pouco, mas como ele mesmo nos disse, os cupins comeram muita coisa. Eu tenho certeza que é uma obra que merece ser conhecida até no exterior e, chegando lá, vão dar o devido valor.

Maestro Emmanuel Coêlho Maciel

CARTA AO MAESTRO EMMANUEL


Oeiras, 1º de Maio de 1991



Ilmo Sr. Maestro Emmanuel Coêlho Maciel
Eminente Maestro Maciel

Somente hoje me é possível remeter-lhe as músicas prometidas e o faço tocado da grata satisfação que me causou a sua visita, no dia 26 de fevereiro deste ano. Problemas de saúde colaboraram para esta demora. Peço-lhe, e espero que o bondoso Maestro se digne de perdoar-me a mesma demora.


Como disse ao ilustre cultor da Divina Arte, não sou compositor. Toquei flauta, esse maravilhoso instrumento de que muito gostei na minha mocidade e mesmo na idade madura. Como dedilhador do instrumento de que Patappio Silva foi Mestre admirável, vez por outra era levado a rascunhar pequenas melodias para tocá-las debaixo dos céus de Oeiras nas noites de plenilúnio. Mas não tendo estudado instrumentação, escrevia apenas as melodias. Isso me levou também a rabiscar outras peças, por força de circunstâncias, peças que eram executadas por conjuntos orquestrais, ocasionalmente, de longe em longe constituídos aqui.

Nesta carta darei ao Maestro Caríssimo, conta de como me nasceram as composições que se tocavam aqui em conjuntos de pau e corda; e outras que dedilhava sozinho com acompanhamento de violão nas serestas que fazíamos.


1938-Nesse ano um grupo de admiradores de Momo resolveram sair pelas ruas, passeando as glórias do Rei da Folia. Convidaram-me para acompanhá-los. Anuí ao convite e animado escrevi a um flautista amigo em Floriano (bom flautista), que possuía, além da flauta de prata, um flautim também de prata. Escrevi a ele, - o saudoso Amigo Ranulfo Barros, pedindo emprestado dito flautim para as festas momescas. Tanto que recebeu a carta remeteu-me o instrumento. Quando chegou o instrumento esperado, na força da animação escrevi “Olha o Flautim”, marchinha que em anexo.

1939- As serenatas eram as inspiradoras. Em 25 de abril desse ano escrevi a valsa-serenata a que dei o nome de ‘Eva Feitosa”. Violinista, fiz muitas horas de estudos para dois instrumentos, já nos métodos de violino que ela possuía, já nos meus métodos de flauta. A Profa. Eva Feitos era normalista, turma de 1928, diplomada pela antiga Escola Normal de Teresina, onde fez curso brilhante. Foi a diretora do 1º Grupo Escolar Costa Alvarenga, instalado aqui em 1929. Foi diretora do Colégio Estadual “Farmacêutico João Carvalho”, aqui, durante anos. Organista da Catedral durante muito tempo,lecionou também, aí em Teresina, no Colégio Diocesano.

Ainda em 1939 tentei escrever um chorinho. Não acertei. Saiu isso aí, que não sei o que é: “Choro Fantaia”.

1940-Nesse ano escrevi a valsa “Cecy Carmo”. Foi executada pela primeira vez em dezembro daquele ano pela banda de música “Santa Cecília”, na inauguração do Cine Teatro Oeiras. Foi a valsa com que se abriu o baile oferecido ao Sr. Interventor Federal e luzida comitiva no dia da inauguração do aludido prédio.

1941-Saíram-me a Nº. 9 (“Pagã), escrita para cerimônia religiosa na casa da Exma. Sra. Salomé de Freitas Tapety, mãe do ex-Deputado Juarez Tapety, nossa vizinha. No mesmo ano, letra e música da valsa “Pensando em ti”. Em 1942, escrevi “Alice Cassiano”

1959-Em 1959 estava nossa Diocese sem Bispo. Eleito para a vaga de D. Raimundo de Castro e Silva foi Monsenhor Edilberto Dinkenborg, sagrado Bispo de Oeiras a 11 de outubro daquele ano, na Catedral de Salvador Bahia. A cidade inteira se alegrou e um júbilo enorme tangenciou todas as almas. Naquele dia 11 de outubro de 1959, tranquei-me e escrevi a peça “Salve Dom Edilberto Dinkenborg”, que foi executada poucos dias depois, por orquestra por mim dirigida no Cine Teatro Oeiras, em sessão solene comemorativa da posse do nosso Bispo, na noite de 1º de novembro do dito ano de 1959.

1966- Oeiras festejou a 11 de outubro desse ano, o setênio de sagração de Edilberto. A comissão de música, por ser eu o mais velho, me aclamou presidente da mesma. Para não se executarem somente valsinhas velhas, surradas, escrevi e apresentei aos componentes da orquestra, no dia 04 de outubro, uma semana antes da homenagem a música que denominei: “Minha Colaboração I”. Foi executada no Cine Teatro Oeiras, na sessão solene.

1968-Em 19 de junho desse ano festejou a ex-Capital do Piauí as bodas de prata de ordenação sacerdotal de D. Edilberto Dinkenborg Grande Festa a que compareceram Bispos, o Sr. Governador do Estado, autoridades, jornalistas, etc. Abrilhantou a solenidade a banda de músicos da Polícia Militar do Estado.

Ainda por nímia gentileza da comissão de música, e atendendo à minha ancianidade, fui aclamado seu presidente.

A festa se deu, como disse, a 19 de junho daquele ano de 1968. A 11 do mesmo mês, apresentei à orquestra, para ensaios, a "Minha Colaboração II”, que foi executada no adro da igreja catedral.

O jornalista e escritor José Miguel de Matos, da Academia Piauiense de Letras, que aqui se encontrava, deu na Revista/”Mafrense”, que dirigia, notícia do acontecimento. Envio juntamente, fotocópia das páginas 51/52 da referida Revista, em que se/lê pequena mensagem que dirigi a D. Edilberto Dinkenborg, como presidente da comissão de música.

Em 14 de março de 1983 escrevi: “Um Hino à Matriz de Oeiras nos seus 250 anos”. A letra é do Dr. José Expedito Rêgo.

No dia 02 de setembro de 1984 escrevi a valsa “Lilásia Mendes Freitas”, minha pálida homenagem à excelente bandolinista, que tanto tem abrilhantado as solenidades do Instituto Histórico de Oeiras de que ela faz parte.

Ainda em 1984, no dia 12 do mesmo mês de setembro, escrevi: “O Hino Comemorativo dos 40 Anos da Diocese”. Letra de/ Ulisses de Castro. Foi cantado nas festas jubilares.

Aí uma ligeira notícia das minhas atividades como soprador de flauta. O cupim me devorou um bocado de garatujas musicais. Culpa talvez minha.


Se encontrar ainda alguma coisa mandarei ao caríssimo e bondoso Maestro. Junto, uma foto dos meus 80 anos, tendo à mão a flauta que tanto me encantou.

Rogo-lhe enfeitar as pobres músicas que lhe envio, com um arranjo generoso.

Com profundo respeito e com os melhores votos pela sua preciosa saúde, subscrevo-me, cordialmente,

Possidônio Nunes Queiroz

terça-feira, 19 de maio de 2009

ALTAMIRO CARRILO


SAM MOST E JOE FARREL


UM MESTRE DA ARTE E DA VIDA

"Caros amigos da FNT. Tenho acompanhado com entusiasmo as iniciativas da Fundação. A campanha "uma medalha para Possidônio" revela e ratifica o esmerado compromisso com a memória do nosso povo. Para nós, afropiauienses, Possidônio deve ser referência para uma trajetória segura e autonoma, caminho a ser trilhado, também, com sensibilidade e beleza. A experiência de Possidônio como cidadão talvez seja seu maior legado. Uma medalha para Possidônio é um carinhoso obrigado a um mestre da arte e da vida."
Professor Solimar de Oliveira Lima

UM CURRÍCULO PARA POSSIDÔNIO

"Como indivíduo que não possui sequer diploma do curso primário, me arrojei muitas vezes..." Possidônio Queiroz
No dia em que o Professor Possidônio Queiroz completou 86 anos de idade, em 17 de maio de 1990, recebeu a visita de sua amiga a Professora Rita Campos. Além de cumprimentá-lo, Rita lhe fazia uma espécie de convocação: queria que Possidônio fizesse uma palestra durante as comemorações do centenário de nascimento do grande poeta Nogueira Tapety que ocorreria no final daquele ano. Como Possidônio recusasse, a Rita, com a sua bela e potente voz, exaltou-se, argumentando no sentido de que isso era uma espécie de missão irrecusável tendo em vista a enorme importância que se conferia à efeméride e que Possidônio “não poderia fugir de tão honrosa incumbência” como relata o próprio Professor em um ‘”bilhete” (sic) com 7 páginas datilografadas, endereçado à mesma Rita Campos e datado de 17 de julho de 1990.

No histórico “bilhetinho”, além de reclamar de seu precário estado de saúde, razão pela qual recusava-se a ser o orador do evento, Possidônio roga permissão para “lembrar, à ligeira, as vezes em que, chamado, pude atender à voz da velha terra. E isso sem exigir nem um –Muito Obrigado!”

Passa, então, a relatar, em 29 itens, as ocasiões em que, instado, falou em nome ou prestou serviços a Oeiras. Apesar de, no final, afirmar que “aos poucos serviços que arrolei, poderia juntar muitos outros, se fosse respigá-los...”creio que este documento, por ele assinado, pode ser considerado seu assumido currículo.

Não quero, e nem saberia, valorar a importância de cada um dos itens arrolados, mas, apenas para que se tenha uma idéia da disparidade entre eles, cito a elaboração dos estatutos do “Oeiras Clube” (1949), um dos itens enumerados que participa da mesma lista de feitos tais como, o discurso em homenagem a Luiz Carlos Prestes (1987) ou um outro (1976), estratégico, feito como saudação a Dom Carmine Rocco, Núncio Apostólico do Brasil, em quem se buscava apoio para que a Diocese permanecesse com sua sede em Oeiras, ou mesmo, toda a campanha, de que participou ativamente, pela criação da mesma, nos anos 40. Aliás, parece-me que esta lista espelha bem a personalidade do “Bruxo Velho de Oeiras”: Possidônio dava-se integralmente a tudo o que fazia, fosse uma palestra para casais encontristas; fosse a vitoriosa campanha, por ele iniciada, para que Oeiras conservasse o seu topônimo, ou mesmo a composição de uma música (a Valsa nº 9, também conhecida por “Pagã”), com que presenteou sua vizinha e anfitriã, Dona Salomé de Freitas Tapety, convidado que fora para Ceia Natalina de 1941.

Seja como for, este “bilhete” constituiu-se, para mim, num verdadeiro achado pois fiquei, ainda mais, convencido de que cada episódio da vida do Professor Possidônio Queiroz se constitui em um item do vastíssimo currículo que ele construiu na sua frutuosa vida.

Soube de uma história muito interessante: certa vez o comerciante Antônio Carvalho, apelidado “o Jovem”, procurou Possidônio pedindo a ele que fizesse um discurso para ser lido no “cabaré do Ciço Cego” durante um dos famosos bailes que ali se realizavam. Morro de curiosidade para conhecer o teor desse discurso que, pelo que conheço de Possi, certamente estava carregado do mais profundo lirismo. Pena que esta oração se perdeu nos desvãos do tempo. Seria uma importante contribuição ao já volumoso currículo do reverenciado Mestre.

Joca Oeiras

segunda-feira, 18 de maio de 2009

TOTAL ENGAJAMENTO

Ferrer e Possi: companheiros de muitas batalhas
Meritória a campanha para outorgar-se, in memorian, a Medalha da Ordem do Mérito Cultural a Possi. Não poderia furtar-me a somar com todos no intento que espero seja vitorioso. Possidônio foi o maior oeirense do século XX. Sua honradez, humildade, além da capacidade de grande polígrafo que foi, credenciam-no a receber a láurea. Não vejo ninguém com mais mérito que ele.
Pedro Ferrer Mendes de Freitas

PATÁPPIO SILVA

Patáppio Silva, grande flautista que, no início do século XX foi um dos primeiros músicos no Brasil a gravar discos pelo selo Odeon, em 1907. Possidônio Queiroz admirava muito o seu talento.

FLAUTA ATÉ NO ROCK'ROLL

Ian Anderson, flautista do Grupo de Rock Jethro Tull em pose fálica

PRESTES EM OEIRAS

Em 1926 , chefiando a famosa Coluna que levou seu nome, Luís Carlos Prestes esteve em Oeiras e Possidônio Queiroz, jovem músico de 22 anos, confraternizou com os chamados revoltosos. Sessenta e um anos depois, em 1987, acompanhado de sua filha (com Olga Benario) Anita Leocádia, Prestes retornou à Primeira Capital do Piauí e foi recepcionado com um discurso do próprio Possidônio. Abaixo, sua transcrição na íntegra.

"Exmo. SenhorLuiz Carlos Prestes:

A vossa vinda a Oeiras é motivo de satisfação para a ex-Metrópole do Piauí. A vossa presença, hoje, na cidade invicta onde o Piauí nasceu ficará registrada nos anais dos acontecimentos marcantes da vida de nossa terra, como um fato histórico, a guardar-se para posteridade.Já estiveste aqui, Senhor, em permanência mais demorada que a de agora. Nos idos de 1926, pelo mês de julho, quando a Nação se estorcia, gemendo, sob as tenazes de um governo de exceção; quando o Brasil vivia sob o império de um governante que atravessou o seu período administrativo em contínuo estado de sítio, trazendo arrolhadas as consciências e inquieta a alma dos filhos da terra de Santa Cruz; - naquela época estiveste aqui à frente da renomeada “Coluna Prestes”, e aqui, com outros bravos, vos demorastes por vários dias.Gonfaloneiro de um nobre, alevantado ideal, desfraldaste, lado de outros insígnes Oficiais do Exército, autênticos valores militares, a Bandeira da Revolução salvadora, e por ela vos aforçurastes, lutastes por ela, com todo o poder de que éreis capaz, com todas as energias, emprestando ao movimento, todo o vigor de vossa mocidade sadia e esperançosa.Ao tempo da juventude, o vosso cérebro crepitava em faíscas admiráveis, no ingente labor pela busca do saber.

Daí a maneira brilhante como cursastes a Escola Militar no Rio de Janeiro, em que aos 22 anos de idade, vos laureastes engenheiro, como o primeiro da turma.Os ensinamentos bebidos na severa escola dos êmulos de CAIXAS, vos acrisolaram o ingênito amor pela Pátria, herdado ao vosso genitor, Oficial do Exército, que, segundo se diz, teve ativa participação na queda do regime monárquico.Sonháveis, então, e sonhais ainda, com um Brasil forte, rico, equânime, pai generoso de todos os seus filhos; com um Brasil em que não haja nababos apodrecendo de ricos, na expressão popular, tampouco mães famintas, emagrentadas, esqueléticas, mirradas pela fome crônica, de olhos esgazeados, girando espantosos nas órbitas escuras, dando o seio murchos aos filhinhos semi-mortos, como na visão dolorosa de Raquel de Queiroz.

Esse sonho patriótico por um Brasil melhor, por um Brasil bom, por um Brasil isento de injustiças sociais, - gênese, não há dúvida, das muitas violências que nos afligem -; esse sonho, melhor, esse desejo, vos levou, desde o primeiro 5 de julho, de que, por moléstia, não pudeste tomar parte; a vos insurgir contra o estado de coisas reinante.A malfadada carta, dada a lume no dia 9 de novembro de 1921 no “CORREIO DA MANHÔ, um dos órgãos mais importantes da imprensa carioca; carta insultuosa aos Oficiais do Exército, vincou fortemente a vossa alma.Não obstante a negativa do indigitado autor, o exame grafológico da missiva em apreço, lançou dúvidas, não pequenas, no espírito de muitos. Outros fatos de suma gravidade, somados a distorções que se praticavam amiúde, foram agitando o cenário político brasileiro, aborrecendo o ânimo de apreciável parte da oficialidade, até a eclosão do segundo 5 de julho. Este em 1924. Foi o movimento paulista daquele ano.Servíeis, então, no Rio Grande do Sul. Mas, olhos voltados para o movimento paulista, vistes, com tristeza, a sua derrocada, e a retirada dos bravos, que sempre lutando, se deslocavam, valentemente, para a Foz do Iguaçu.

Com o vosso idealismo, coragem e prestígio, preparastes, com outros, um levante na terra dos pampas, e, em fins de outubro ou começo de novembro, abrindo caminho à força de recontros sangrentos, fostes vos juntar, com os valorosos companheiros que vos acompanhavam, aos denodados revolucionários paulistas, iniciando-se então, a marcha da célebre Coluna que a história recolheu com o nome de “Coluna Prestes”.O ano de 1925, foi, pode-se dizer, o das grandes marchas e contramarchas, iniciadas por vós no Rio Grande do Sul, e postas em prática na enorme caminhada por todo o Brasil, marchas e contramarchas, mais desenvolvidas em 1926.Era a guerra de movimento, em que com a vossa estratégia vos tornastes invencível; a guerra guerreada de que nos fala o Apóstolo de Havia, na extraordinária e erudita disputa travada entre ele e o eminente filólogo Ernesto Carneiro Ribeiro, no começo deste século, quando da questão celebérrima pela redação do Código Civil.

O vosso gênio militar, a tática que puseste em prática e que desnorteava as numerosas forças, que de todos os lados marchavam contra a Coluna; constituíram páginas que não fora ainda escrita nos anais da história brasileira.O Brasil inteiro, estarrecido, acompanhava os feitos, quase increditáveis dos valorosos componentes da Coluna.O General Miguel Costa, os Tenentes Coronéis revolucionários Juarez Távora, Antônio de Siqueira Campos, Osvaldo Cordeiro de Farias, João Alberto Lins e Barros, Djalma Soares Dutra, - falange admirável - e outros agoniados da verdade e da justiça, convosco à frente, palmilharam naqueles dias difíceis, indômitos, os caminhos intérminos deste Brasil gigante.A imprensa oficial infamava, cotidianamente, o nome dos chefes revolucionários. Atribuindo aos mesmos, por onde passavam, crimes inomináveis. Era preciso criar na alma do povo, um clima de repúdio, de animadversão ao movimento militar, que se fazia exatamente para dar a esse povo uma posição de relevo no contexto da vida nacional, para fazer esse povo respeitado, para tirá-lo da simples condição de massa; para dar-lhe vontade, compreensão de que sem o seu concurso consciente, o Brasil não seria jamais a grande nação que desejamos.A Imprensa blaterava, o povo desavisado acreditava e temia. Mas, a vossa presença, por onde passáveis com a Coluna, ia desarticulando distorções aleivosas, despertando confiança nas populações, e não raro, conquistando adeptos.

Como Chefe do Estado da célebre Coluna, éreis, por todos admirado, respeitado e estimado. O vosso tato, a simpleza no tratamento com os oficiais, a sisudez amiga com os inferiores, o senso do justo nas decisões; criaram em torno da vossa pessoa e do vosso nome, uma aura de verdadeiro carisma.Não se pode negar, e é possível que um ou outro fato desagradável, haja ocorrido durante a marcha, partido de elementos sem nome e sem compostura. Maior que fosse a vossa autoridade, e a tínheis realmente indiscutível, não possuíeis o dom supremo da ubiqüidade.Exmo. SenhorLuiz Carlos Prestes!A vossa marcha pelo interior do Brasil, foi para vós, como um extraordinário, magnífico e alto compêndio de geografia pátria, por qualquer faceta que se queira apreciar.Vistes a grandeza potencial do Gigante, que alguém disse adormecido em berço esplendido e que é preciso ser despertado. Contemplastes os campos ubérrimos, as terras férteis em que se podem praticar todas as culturas vegetais, porque, tudo aqui, já dizia o primeiro cronista brasileiro, “em se plantando dá”. Apercebestes-vos, se bem que à ligeira, da grandiosidade das nossas jazidas minerais, das minas inexploradas, capazes, por si, somente, para tornar a nossa terra, uma das inexploradas, capazes, por si somente, para tornar a nossa terra, uma das mais ricas e opulentas do mundo. Atravessastes rios majestosos, imensas artérias, a cingir em mádidos abraços, o corpo varonil da terra brasílica, e a correr inaproveitados para o mar, num desperdício enorme, sem nome, da linfa preciosa, como se o oceano ainda precisasse de mais água.

Nas horas silentes das noites límpidas do Nordeste calcinado, quando a Coluna dormitava; ouvidos e olhos atentos, perscrutáveis os rumores da floresta, e vigiláveis com os astros, sofrendo, matutando, a pensar no futuro da Pátria, a que tanto queríeis, a qual tanto quereis.O nosso maior sofrimento, porém, nascia e se alimentava da visão que nos oferecia o povo ignaro, em grande parte explorado, levando vida quase infra-humana. Então, o generoso coração do “Cavaleiro da Esperança”, sofria e se irava. Não era a ira dos maus, era a ira dos bons, de que muitas vezes se vêem atacados os santos e os justos, no pensamento excelso de RUY BARBOSA.Era o repúdio aos que governavam mal; aos que, em nome de uma democracia canhestra, servia-se do povo apenas como trampolim para galgar posições de mando. E uma vez alçados a essas posições, era o povo, como sói acontecer ainda, o grande esquecido. O que ainda se vê, nos dias atuais, segundo a imprensa, são as mordomias, o favoritismo aos grandes, a cessão gratuita de mansões luxuosas aos protegidos, os salários altos a funcionários fantasmas, os ordenados astronômicos aos “marajás”, etc. Tudo isso, já se vê, à custa do povo.

Os vossos dignos companheiros de luta, tinham em vós, o grande condutor. Tanto que, encerrada a marcha heróica, sustentada quase incrivelmente durante mais de dois anos, e quando se arregimentavam forças idealistas para a arrancada do ano de 1930, era na vossa pessoa que viam todos, civis e militares, o Chefe indicado.Vós, porém, já não acreditáveis no regime brasileiro. O que vistes e sofrestes nos anos em que palmilhastes as terras de nossa Pátria, vos levaram a meditar fundamente noutra estrutura política. Os chefes militares perderam o valoroso Comandante que desejavam. Houve a cisão inevitável, por todos sinceramente lastimada.Mas,a alma de todos, apesar das fortes divergências de ideal que levaram a eles e a vós para campos opostos; - apesar das divergências inconciliáveis, continuastes a merecer o mesmo respeito, o mesmo acatamento, que a vossa inteligência, a vossa cultura, a vossa sinceridade de propósito vos haviam judiciosamente granjeado.

O notável advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto, que sofreu convosco nos dias ominosos da ditadura Vargas, que durante oito anos esteve ao nosso lado, defendendo-vos; Sobral Pinto divergiu frontalmente de vossa nova orientação. No entanto, em longa missiva que vos dirigiu em 27 de abril de 1945, confessou publicamente o respeito, a amizade que vos tributava.

O Marechal Juarez Távora, figura inolvidável de militar brasileiro, dissentido também das idéias expendias por vós em manifestos publicado; escreveu, em repúdio ao referido manifesto, a 31 de maio de 1930, o seguinte:“Sinto, sinceramente, ter de dizê-lo, pois, há muito, me habituei a admirá-lo, ouvi-lo e acatá-lo, como um verdadeiro guia, por sua experiência, sua cultura, sua ponderação”.Perdoai-me Senhor, essa digressão. Ela me pareceu necessária, como um ligeiro enfoque, para mostrar ao auditório, a grandeza de vossa personalidade, o valor que todos os que integravam a renomeada Coluna, reconheciam em seu General.

Oeiras, Exmo. Senhor, nos idos de 1926, vos conheceu, Comandante da Coluna que hoje tem o vosso nome. Vários dias vos demorastes aqui. Foram dias tranqüilos para a ex-Metrópole do Estado. Vossa presença era penhor de segurança para a população da velha terra.Agora, experimenta a cidade invicta, novamente, a satisfação de vossa presença; já, não como aquele guerreiro que combatia os desmandos do governo Artur Bernardes. Mas como o Líder que o Brasil todo admira e conhece. Como o Líder cujo nome extrapolou as fronteiras nacionais e se espairou por outros povos, deste, e do continente europeu.A vossa visita, disse, de começo, constitui para nós, acontecimento de relevo.

O Instituto Histórico de Oeiras promoveu esta sessão para homenagear-vos. E sente-se prazeroso por vos poder saudar por um dos seus fundadores, e o mais velho dos seus membros.A vossa mística, Senhor, não é de nossa Entidade. O IHO não comunga convosco das idéias que esposais. Pouco importa. O arraigado sentimento cívico, o extremado amor à Pátria Brasileira, nos confunde, afinando, sintonizando os nossos desejos, por um Brasil grande, soberanamente justo. Embora o queiramos por caminhos que não são os mesmos, reverenciamos o homem, o patrício ilustre que escreveu uma página heróica como Chefe da “Coluna Prestes”, página que estarreceu o mundo, fazendo com que, naquela época, muitas nações tivessem os olhos voltados para nós.

O Instituto Histórico de Oeiras, Exmo. Sr. Luiz Carlos Prestes, vos dá boas vindas à nossa cidade, e vos saúda, mui respeitosamente. Saúda, igualmente, com grande e fraternal alegria, a exma. e ilustre patrícia, Professora Anita Leocádia Prestes, cuja presença em nossa urbe, é motivo de exultação para a terra máter do Piauí e de grande prestígio, de extraordinário prestígio para esta sessão solene.