
Oeiras, 1º de Maio de 1991
Ilmo Sr. Maestro Emmanuel Coêlho Maciel
Eminente Maestro Maciel
Eminente Maestro Maciel
Somente hoje me é possível remeter-lhe as músicas prometidas e o faço tocado da grata satisfação que me causou a sua visita, no dia 26 de fevereiro deste ano. Problemas de saúde colaboraram para esta demora. Peço-lhe, e espero que o bondoso Maestro se digne de perdoar-me a mesma demora.
Como disse ao ilustre cultor da Divina Arte, não sou compositor. Toquei flauta, esse maravilhoso instrumento de que muito gostei na minha mocidade e mesmo na idade madura. Como dedilhador do instrumento de que Patappio Silva foi Mestre admirável, vez por outra era levado a rascunhar pequenas melodias para tocá-las debaixo dos céus de Oeiras nas noites de plenilúnio. Mas não tendo estudado instrumentação, escrevia apenas as melodias. Isso me levou também a rabiscar outras peças, por força de circunstâncias, peças que eram executadas por conjuntos orquestrais, ocasionalmente, de longe em longe constituídos aqui.
Nesta carta darei ao Maestro Caríssimo, conta de como me nasceram as composições que se tocavam aqui em conjuntos de pau e corda; e outras que dedilhava sozinho com acompanhamento de violão nas serestas que fazíamos.
1938-Nesse ano um grupo de admiradores de Momo resolveram sair pelas ruas, passeando as glórias do Rei da Folia. Convidaram-me para acompanhá-los. Anuí ao convite e animado escrevi a um flautista amigo em Floriano (bom flautista), que possuía, além da flauta de prata, um flautim também de prata. Escrevi a ele, - o saudoso Amigo Ranulfo Barros, pedindo emprestado dito flautim para as festas momescas. Tanto que recebeu a carta remeteu-me o instrumento. Quando chegou o instrumento esperado, na força da animação escrevi “Olha o Flautim”, marchinha que em anexo.
1939- As serenatas eram as inspiradoras. Em 25 de abril desse ano escrevi a valsa-serenata a que dei o nome de ‘Eva Feitosa”. Violinista, fiz muitas horas de estudos para dois instrumentos, já nos métodos de violino que ela possuía, já nos meus métodos de flauta. A Profa. Eva Feitos era normalista, turma de 1928, diplomada pela antiga Escola Normal de Teresina, onde fez curso brilhante. Foi a diretora do 1º Grupo Escolar Costa Alvarenga, instalado aqui em 1929. Foi diretora do Colégio Estadual “Farmacêutico João Carvalho”, aqui, durante anos. Organista da Catedral durante muito tempo,lecionou também, aí em Teresina, no Colégio Diocesano.
Ainda em 1939 tentei escrever um chorinho. Não acertei. Saiu isso aí, que não sei o que é: “Choro Fantaia”.
1940-Nesse ano escrevi a valsa “Cecy Carmo”. Foi executada pela primeira vez em dezembro daquele ano pela banda de música “Santa Cecília”, na inauguração do Cine Teatro Oeiras. Foi a valsa com que se abriu o baile oferecido ao Sr. Interventor Federal e luzida comitiva no dia da inauguração do aludido prédio.
1941-Saíram-me a Nº. 9 (“Pagã), escrita para cerimônia religiosa na casa da Exma. Sra. Salomé de Freitas Tapety, mãe do ex-Deputado Juarez Tapety, nossa vizinha. No mesmo ano, letra e música da valsa “Pensando em ti”. Em 1942, escrevi “Alice Cassiano”
1959-Em 1959 estava nossa Diocese sem Bispo. Eleito para a vaga de D. Raimundo de Castro e Silva foi Monsenhor Edilberto Dinkenborg, sagrado Bispo de Oeiras a 11 de outubro daquele ano, na Catedral de Salvador Bahia. A cidade inteira se alegrou e um júbilo enorme tangenciou todas as almas. Naquele dia 11 de outubro de 1959, tranquei-me e escrevi a peça “Salve Dom Edilberto Dinkenborg”, que foi executada poucos dias depois, por orquestra por mim dirigida no Cine Teatro Oeiras, em sessão solene comemorativa da posse do nosso Bispo, na noite de 1º de novembro do dito ano de 1959.
1966- Oeiras festejou a 11 de outubro desse ano, o setênio de sagração de Edilberto. A comissão de música, por ser eu o mais velho, me aclamou presidente da mesma. Para não se executarem somente valsinhas velhas, surradas, escrevi e apresentei aos componentes da orquestra, no dia 04 de outubro, uma semana antes da homenagem a música que denominei: “Minha Colaboração I”. Foi executada no Cine Teatro Oeiras, na sessão solene.
1968-Em 19 de junho desse ano festejou a ex-Capital do Piauí as bodas de prata de ordenação sacerdotal de D. Edilberto Dinkenborg Grande Festa a que compareceram Bispos, o Sr. Governador do Estado, autoridades, jornalistas, etc. Abrilhantou a solenidade a banda de músicos da Polícia Militar do Estado.
Ainda por nímia gentileza da comissão de música, e atendendo à minha ancianidade, fui aclamado seu presidente.
A festa se deu, como disse, a 19 de junho daquele ano de 1968. A 11 do mesmo mês, apresentei à orquestra, para ensaios, a "Minha Colaboração II”, que foi executada no adro da igreja catedral.
O jornalista e escritor José Miguel de Matos, da Academia Piauiense de Letras, que aqui se encontrava, deu na Revista/”Mafrense”, que dirigia, notícia do acontecimento. Envio juntamente, fotocópia das páginas 51/52 da referida Revista, em que se/lê pequena mensagem que dirigi a D. Edilberto Dinkenborg, como presidente da comissão de música.
Em 14 de março de 1983 escrevi: “Um Hino à Matriz de Oeiras nos seus 250 anos”. A letra é do Dr. José Expedito Rêgo.
No dia 02 de setembro de 1984 escrevi a valsa “Lilásia Mendes Freitas”, minha pálida homenagem à excelente bandolinista, que tanto tem abrilhantado as solenidades do Instituto Histórico de Oeiras de que ela faz parte.
Ainda em 1984, no dia 12 do mesmo mês de setembro, escrevi: “O Hino Comemorativo dos 40 Anos da Diocese”. Letra de/ Ulisses de Castro. Foi cantado nas festas jubilares.
Aí uma ligeira notícia das minhas atividades como soprador de flauta. O cupim me devorou um bocado de garatujas musicais. Culpa talvez minha.
Se encontrar ainda alguma coisa mandarei ao caríssimo e bondoso Maestro. Junto, uma foto dos meus 80 anos, tendo à mão a flauta que tanto me encantou.
Rogo-lhe enfeitar as pobres músicas que lhe envio, com um arranjo generoso.
Com profundo respeito e com os melhores votos pela sua preciosa saúde, subscrevo-me, cordialmente,
Possidônio Nunes Queiroz
Possidônio Nunes Queiroz
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