Era, a bem dizer, um pobre coitado, bêbado desses que fazem pequenos favores por uma pinga. Chamavam-no Amiguim porque a todos chamava por esse nome que não deixa de ser carinhoso. Como tantos outros pés-rapados, freqüentava a casa do professor Possidônio Queiroz e, como todos os demais, recebia a atenção do mestre.
Corria o ano de 1992 e os problemas de saúde de Possi, aos 88 anos, mais e mais se agravavam. Estava quase cego e a surdez andava em estado avançado. Usava um, hoje jurássico, aparelho auditivo que, muitas vezes, mais ruído fazia do que outra coisa, mas que, é claro, tinha grande utilidade. Um dia descobriu que o citado aparelho havia desaparecido. Procura daqui, procura dali e a inevitável conclusão: o aparelho havia sido furtado.
Houve comoção geral: os parentes, os vizinhos, os amigos mais próximos todos querendo descobrir o ladrão, exaltavam-se. O dono do aparelho, em contrapartida, manteve-se, como sempre, calmo como se nada tivesse acontecido.
Em cidade pequena até as paredes tem olhos e ouvidos atentos e não durou muito para saberem quem roubou e quem foi o receptador de tal roubo, resultando disso que, cerca de oito dias depois, o aparelho já estava novamente na posse do dono.
Ninguém foi preso, não abriram qualquer processo e, passado algum tempo, lá estava o Amigim como se nada tivesse acontecido, fazendo uma nova visita ao professor.
Corria o ano de 1992 e os problemas de saúde de Possi, aos 88 anos, mais e mais se agravavam. Estava quase cego e a surdez andava em estado avançado. Usava um, hoje jurássico, aparelho auditivo que, muitas vezes, mais ruído fazia do que outra coisa, mas que, é claro, tinha grande utilidade. Um dia descobriu que o citado aparelho havia desaparecido. Procura daqui, procura dali e a inevitável conclusão: o aparelho havia sido furtado.
Houve comoção geral: os parentes, os vizinhos, os amigos mais próximos todos querendo descobrir o ladrão, exaltavam-se. O dono do aparelho, em contrapartida, manteve-se, como sempre, calmo como se nada tivesse acontecido.
Em cidade pequena até as paredes tem olhos e ouvidos atentos e não durou muito para saberem quem roubou e quem foi o receptador de tal roubo, resultando disso que, cerca de oito dias depois, o aparelho já estava novamente na posse do dono.
Ninguém foi preso, não abriram qualquer processo e, passado algum tempo, lá estava o Amigim como se nada tivesse acontecido, fazendo uma nova visita ao professor.
Joca Oeiras a partir de um "causo" contado pelo Carlos Rubem.
Nota: O titulo faz alusão ao famoso "Roubo da Custódia", ocorrido em Oeiras há exatos duzentos anos.

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