Oeiras, 11 de fevereiro de 1973
Querido filho, Francisco Queiroz
Abraços
Recebi seu telegrama há dias. Ciente. Estou remetendo a flauta pelo nosso bom amigo Ferrer. Vai aos cuidados do Queiroz Neto porque não tenho o seu endereço novo (mande-o) e porque ao Raimundo é mais fácil do Ferrer encontrar.
Há muito tempo não via a nossa flauta. Parece que ainda está boa. Creio mesmo que as sapatilhas não precisam ser mudadas por já! Não sei. Aí você verificará. Antes de embalá-la, os meninos todos fizeram uma festa de despedida. Cada qual queria dar uma sopradinha.
O Carlinho foi o mais interessado. Depois de dar um banho de álcool nas duas cabeças entreguei a eles. Carlos queria tocar sem nunca haver estudado antes. E quando pus o instrumento na caixa e fechei, ele tratou de fazer uma flautazinha com um pedaço de cano que encontrou.
Gostaria que Carlos estudasse flauta, ou outro instrumento e até fizemos um “Contrato” hoje de ele estudar um pouco de música pra depois a gente ver o que se pode fazer. O estudo da música tem caído aqui. Peço-lhe, quando tiver tempo, indague o preço de um bandolim nas casa do ramo. Já falei com Ceiça e Vanda para que elas também estudem um pouco de música.No momento da despedida, tentei arrancar algumas notas mas a contragosto verifiquei que a flauta já não me conhecia, ela que outrora foi uma amiga inseparável. Que sons bonitos, maviosos ela me fornecia?... Ficava muitas vezes, noite velha a dentro a manejá-la encantado com o que ela me dizia. Doce ao extremo, requeria um sopro suave, fraco, porque do contrário ela gritava magoada.Nos graves uma beleza encantadora. Notas cheias redondas, magníficas. Nos médios uma riqueza de doçura que se assemelhava ao violino. Nos agudos afinadíssima e agradável sobremaneira ao ouvido.
Hoje me não quis satisfazer. Também há mais de doze (12) anos não tocava. Assim mesmo pude arrancar-lhe quase a contragosto dela, umas cromáticas e uns trenos saudosos que constituíam os meus estudos dos tempos de mocidade.
Estude e quando vier por aqui, traga-a, ou então alguma gravação de trechos tocados nela. Quero ouvi-la, como outrora.Não mando um método porque não encontrei. Não sei se ainda possuo algum. Isso é fácil encontrar por aí. Tome um curso de flauta. Pode muito bem adquirir neste instrumento que Márcia criou, a virtuosidade que possui na clarineta. Escreva.Nada de novo por aqui, só a posse do Dr Pedro Freitas no cargo de Prefeito Municipal, como sucessor do Dr. Juarez Tapety.Agora um forte abraço. Os meninos todos mandam muitas lembranças. Mãe Chiquinha vai bem, todos vivendo.
Do Pai AmigoPossidônio Queiroz

Sinto-me uma pessoa muito previlegiada, por ter cursado Lic. Plena em Histórica na cidade mais charmosa, cultural e histórica do Piauí, conhecido parte da família Queiroz, Conhecido parte da história do "Meu Ídolo" Possidônio Queiroz,através de Vó Melinha,Tia Vanda e Rodrigo Queiroz que me permitiram, imaginar como seria esse grande homem!
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