quinta-feira, 14 de maio de 2009

POSSIDÔNIO QUEIROZ: UNIVERSAL E ATEMPORAL

Há muito tempo já deveria ter sido feito um trabalho educativo e cultural no estado do Piauí para divulgação da figura do músico oeirense Possidônio Queiroz, tanto no nosso estado, quanto no Brasil. Possidônio Queiroz precisa ser reconhecido nacionalmente, por sua obra musical universal, pois mesmo compondo valsas de influência regional, as fez à moda dos grandes mestres da música clássica européia.

Sua obra impressiona quando se adentra na sua história de vida, vendo um homem simples, que viveu no interior do Piauí e mesmo assim, sem sair daqui conheceu como ninguém o mundo através dos livros.

A sua musicalidade foi produzida à moda das valsas vianenses, mas há na melodia uma alma regionalista que nem por isso a torna menos universal.

Como bem se expressou Helbert Maciel no encarte do CD "Valsas Piauienses", lançado em ainda nos anos noventa, em homenagem ao músico oeirense, Posidônio é um fenômeno . Eu mesmo sem ser músico, mas amante desta arte completaria. Possi é um fenômeno vivo, já que sua obra perpetua-se quando um bandolim nos lança seus acordes numa valsa executada em alguma festividade oeirense, ou ainda quando uma orquestra afinada nos presenteia com sua música tocante, parte de nós oeirenses e ao mesmo tempo, parte da humanidade, já que expressa nossos anseios, desejos e sentimentos.

Está percorrendo os veículos de comunicação, bem como espaços públicos e políticos a campanha estimulada pela Fundação Nogueira Tapety, onde a mesma indica o nome de Possi, como era carinhosamente conhecido em sua terra natal, para que receba a Medalha da Ordem do Merito Cultural, concedida pelo Minc a personalidades culturais de destaque no cenário cultural brasileiro.
Se o grupo Bandolins de Oeiras já recebeu, em 2006, a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, e esta, divulga a obra de Possidônio, tendo sido ele, um grande incentivador da arte dos bandolins em Oeiras, é mais que merecido que o nosso grande mestre seja reconhecido nacionalmente, não apenas pela sua obra musical, mas pelo que representou e representa na cultura piauiense.

Rábula, historiador na essência, professor, ativista cultural, crítico literário e exímio orador. Possidônio é um fenômeno cultural e exemplo vivo de nossa cultura resistente, cultura que mesmo situada num contexto econômico e geográfico delicado, se mostra resistente principalmente ao tempo. Por que o que é clássico não se deteriora. Não é exagero reconhecer que Possidônio é atemporal .

Stefano Ferreira. Jornalista, Poeta, Escritor e Professor da Faculdade R. Sá.

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